quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

O Imbecil Coletivo - Parte 3


Como última postagem referente à sequência ¨O Imbecil Coletivo¨ resolvi fazer uma síntese de algumas falácias ligadas ao clube da gávea que, por pura falta de decência e níveis elevados de covardia, ou não são publicadas ou são divulgadas de maneira inexpressiva, sendo logo superado por algo que realmente interesse à quem controla a opinião pública.
Quando o assunto é polemicidade, hipocrisia, falsidade e mentiras, o clube da ave-preta é campeão. Neste momento não irei entrar em assuntos mefíticos relacionados a eles, embora eu tenha dados e argumentos para várias postagens só sobre isso. Hoje, me aterei somente em três temas: o verdadeiro vice-campeão, o hexa sem penta e o rebaixamento no carioca de 1933.
Neste ano de 2011, acompanhamos mais um episódio de alegria da ¨Flapress¨ com o nosso vice-campeonato brasileiro. Eles imediatamente esqueceram que nós já éramos campeões nacionais com o título da Copa do Brasil e que nós figuramos entre os 4 melhores clubes da Copa Sulamericana sendo o único brasileiro nas semifinais. Para eles, ter o título nacional de maior importância no primeiro semestre e mesmo assim lutar por um outro título nacional e, concomitantemente, manter-se vivo num torneio internacional é irrelevante quando se é segundo lugar do Campeonato Brasileiro.
Uma euforia sem tamanho. Um prato cheio recheado de embromação e invencionice para alimentar as fartas entranhas dessa gente.
Vamos aos fatos. Essa história de vice de novo começou no final dos anos 90. Porém, analisar somente o acontecido de o Vasco ter sido vice dos cariocas de 99, 2000, 2001 e 2004 além da perda da Copa do Brasil de 2006 para o clube da ave-preta, não configura em estabelecer que o Vasco é o maior vice da história e tampouco que é o maior vice para o urubu.
Com certeza, os ¨estudiosos¨ da Flapress e toda a torcida rubro-negra (que já foi azul e ouro) jamais ouviram falar no termo non sequitur. Esta expressão é usada em argumentos formais para se dizer que de um fato não se chega a uma exatidão, ou seja, que a conclusão claramente não atende às premissas sendo, portanto, uma falácia lógica.
Partindo disso, entremos agora na mente de um flamenguista. Ela funciona da seguinte forma: ¨O Vasco foi vice para nós três anos seguidos no carioca, anos depois voltou a perder um carioca para o flamengo, em 2006 perdeu um título nacional também para nós e em 2011 nós os prejudicamos e eles ficaram em segundo lugar. Logo, o Vasco é vice de novo¨ . Desta maneira, está configurado o non sequitur. Eles esquecem de analisar os 113 anos de história do Club de Regatas Vasco da Gama e seus 94 anos de prática do futebol (o departamento de futebol do Vasco foi fundado em novembro de 1915), colocando-os sob julgo dos acontecimentos de uma década perdida para o Clube.
Sabe quem são os verdadeiros vices? ELES!
Para chegar a essa conclusão é só analisar os números de todos os campeonatos em que o urubu esteve participando. Em outras palavras, é só analisar a história.
Observe estas duas tabelas:
Não tem como ser mais claro. O urubu aparece entre os três clubes mais vices do Brasil. Quanto a nós sermos vices para eles e vice-versa, a vitória é deles por 12 x 11. Mas, por favor, o que é um título em 94 anos de futebol do Vasco e 100 anos do flamengo? Nada além do que um rigoroso empate técnico. Eles podem contra-argumentar dizendo que o título da Copa do Brasil de 2006 desempata esta disputa. Eu lhes respondo: NÃO! Vencemos o Rio-São Paulo de 1958 e, adivinha quem foi o vice? Só lembrando que foi a partir do Rio-São Paulo que em, 1967, surgiu o Torneio Roberto Gomes Pedrosa (O ¨Robertão¨) sendo, por sua vez, base do nascimento da Taça de Prata que, segundo a CBF, foi o embrião do atual Campeonato Brasileiro. Portanto, temos sim um título nacional em cima do urubu. Mas isso a mídia não diz.
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No dia 14 de junho de 2011 a justiça tornou a ser feita, ao menos que momentaneamente. A Confederação Brasileira de Futebol revogou (com muita dor no coração do Sr. Ricardo Teixeira, suponho) o ato publicado em fevereiro do mesmo ano que dividia o título do Campeonato Brasileiro de 1987 reconhecendo, portanto, o Sport Clube do Recife como único e legítimo campeão brasileiro daquele ano.
Para entender descomplicar a complexa história que foi criada para não admitir o Sport como campeão de 87, vamos primeiro contar a história daquele campeonato.
Em 1987, o presidente da CBF Octávio Pinto Guimarães, anunciou que a entidade não iria organizar o Campeonato Brasileiro daquele ano devido a problemas financeiros e administrativos. Além da desistência na organização do evento, foi também dado o aval aos grandes clubes para que estes organizassem o torneio. Com isso, no mesmo ano, foi fundado o ¨Clube dos 13¨ que reunia os treze principais clubes de futebol da época. A saber: Vasco, flamengo, Botafogo, Fluminense, São Paulo, Palmeiras, Corinthians, Santos, Cruzeiro, Atlético Mineiro, Internacional, Grêmio e Bahia.
Assim, foi criada a Copa União, que seria o Campeonato Brasileiro de 1987 com o consentimento da CBF. Esta, por sua vez, exigiu que mais 3 clubes fossem convidados a participar da competição. Desta forma, Santa Cruz, Coritiba e Goiás foram integrados. Estes formavam o chamado Módulo Verde.
Para prestigiar as federações de outros estados, foi criado o Módulo Amarelo e os Módulos Azul e Branco. Embora não estivesse no regulamento, a imprensa nomeou estes dois módulos respectivamente de ¨segunda divisão¨ e ¨terceira divisão¨. Inclusive, neste documento, há a constatação de que tanto os clubes do Módulo Verde como do Módulo Amarelo faziam parte da primeira divisão.
A CBF, percebendo que poderia ser tida como dispensável por parte da maioria dos clubes e notando o provável sucesso do campeonato organizado pelo Clube dos 13, voltou atrás, mudando o regulamento da competição. Num primeiro momento, o vencedor e o vice tanto do Módulo Verde como do Módulo Amarelo se enfrentariam para decidir quem disputaria a Libertadores. Num segundo momento, este mesmo quadrangular decidiria também o título do Campeonato Brasileiro de 1987. A partir daí, temos dois campeonatos em um: O Módulo Verde seria, de fato a Copa União e a união dos Módulos Verde e Amarelo formaria o Campeonato Brasileiro.
Ora, quem sempre regulamentou o futebol nacional foi a CBF. É direito dela mudar as regras do campeonato quando achar necessário. A carta branca dada ao Clube dos 13 para organizar o Campeonato Brasileiro de 87 foi concedida em comum acordo entre as duas entidades, afinal, a FIFA jamais permitiria que um Campeonato Nacional de qualquer país fosse realizado e organizado por uma instituição não integrada ao órgão responsável pelo futebol mundial.
O resultado, todos conhecem: o urubu venceu o módulo verde, sendo campeão da Copa União, e o Internacional foi vice. O Sport venceu o módulo amarelo e o Guarani foi vice. O quadrangular que era pra haver, não existiu por desistência do clube carioca e do clube gaúcho. Sport e Guarani se enfrentaram e o clube pernambucano sagrou-se, de fato e de direito, Campeão Brasileiro de 1987.
O azar do Sport que o persegue até hoje é que, para a criação do Clube dos 13 e posterior financiamento do Campeonato Brasileiro, foi necessário fazer acordos. Nessa mesma época, a Rede Globo arranjou patrocinadores e, com uma quantidade de dinheiro assombrosa, comprou o Campeonato Brasileiro de Futebol. O maior triunfo da Flapress. Com a entidade máxima do futebol brasileiro submetida ao seu domínio, ficou fácil alienar a massa em favor do urubu e dos seus interesses.
Vamos ver até quando dura a decisão da justiça em prol do Sport, único Campeão Brasileiro de 1987.
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Para encerrar, gostaria de apresentar, para quem não conhece, um fato que aconteceu no remoto ano de 1933. Neste ano, o campeonato carioca estava sendo regulamentado por duas entidades: a LCF (Liga Carioca de Football) e a AMEA (Associação Metropolitana de Esportes Athleticos). A LCF foi a primeira associação a organizar um campeonato de futebol no Rio de Janeiro de acordo com os moldes profissionais. O campeonato permaneceu dividido até 1937 quando, finalmente, houve a unificação.
Estavam Campeonato Carioca de 1933 regido pela LCF o Bangu, Vasco, Fluminense, Bonsucesso, América e flamengo. Já o campeonato organizado pela AMEA tinha o Botafogo, como líder dos clubes, além do Olaria, Andarahy, Engenho de Dentro, Confiança, Cocotá, Mavilis, Portuguesa, SC Brasil e Ríver. O Bangu foi campeão do campeonato da LCF enquanto o Botafogo venceu o campeonato da AMEA. Esses dois clubes, portanto, foram campeões cariocas de 1933.
Já no lado de baixo da tabela, quero chamar-lhes atenção para a Liga Carioca de Football. O urubu foi o ÚLTIMO colocado com apenas 5 pontos. Apesar da colocação, o flamengo não foi rebaixado. A segunda divisão já existia, tanto que o Vasco foi campeão em 1922.
Em outras palavras, o ano de 1933 marca a primeira grande sujeira do urubu nos anais do futebol.
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Como falei no início, esta são apenas algumas das falcatruas nas quais o clube da ave-preta está envolvido. Dá para fazer um dossiê só de fatos que relacionem mentiras e farsas em benefício do urubu.
Nosso papel como vascaínos que, acima de tudo, somos fiéis ao nosso Clube, é criar verdadeiras trincheiras. Estar sempre a espera de um golpe que essa quadrilha pode aplicar. Vigiar, fiscalizar e denunciar essa corja chamada flamengo é nossa obrigação.
Saudações Vascaínas.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

O Imbecil Coletivo - Parte 2



04/10/2011

¨O Ibope divulgou nesta terça-feira uma pesquisa sobre dados relacionados ao consumo do esporte na internet e na televisão (números de rádio e revista serão divulgados em breve). O estudo foi realizado nas 12 maiores regiões metropolitanas do país. Nos locais pesquisados, Flamengo e Corinthians estão atualmente empatados em número de torcedores que buscam por esporte nos meios analisados, com 13% da preferência cada. O Ibope só divulgou os três clubes que aparecem na sequência. São eles o São Paulo (8%), Palmeiras (6%) e Cruzeiro (4%)¨. Fonte: GloboEsporte.com

Em outubro do corrente ano, o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE), divulgou a mais recente pesquisa relacionada ao tamanho das torcidas dos clubes brasileiros. O levantamento apontou que o flamengo tem a maior torcida, porém, não é mais hegemônico. O Corinthians atualmente possui a mesma porcentagem de torcedores do clube carioca. Além disso, seguem em terceiro, quarto e quinto lugares o São Paulo, o Palmeiras e o Cruzeiro.

Como foi dito na citação, a pesquisa foi realizada nas principais regiões metropolitanas do país, dando ênfase ao eixo sul/sudeste, ignorando-se dados mais relevantes das regiões norte/nordeste que poderiam dar outro rumo ao resultado desta pesquisa. Mais uma vez, a conveniência por parte de quem comanda esses ¨estudos¨ se fez presente.

Vamos analisar passo a passo estes dados e desmistificar, pelo menos um pouco, o proposital ultraje que se cometeu e que já se tornou uma praxe de tudo que a mídia controla.

A população brasileira, segundo o censo feito pelo IBGE em 2010, possui aproximadamente 192.000.000 (cento e noventa e dois milhões) de habitantes. Ou seja, se hipoteticamente todos os brasileiros de fato gostassem de futebol e fossem torcedores de um determinado clube, flamengo e Corinthians, teriam 24.960.000 (vinte e quatro milhões e novecentos e sessenta mil) torcedores cada.

· Primeira Conclusão: O flamengo jamais chegaria aos seus tão aclamados 40 milhões de torcedores, como diz seu site oficial;

· Segunda Conclusão: O Corinthians jamais chegaria aos 30 milhões de torcedores que o ¨estudioso¨ de futebol Dr. Osmar de Oliveira teria pregado no programa ¨Terceiro Tempo¨ da Rede Bandeirantes.

Mas, como foi observado, nem todos os brasileiros gostam de futebol ou torcem para um determinado clube .

Em abril de 2010, o Instituto Datafolha anunciou que 25 % dos brasileiros não torcem para clube algum. Portanto, refazendo as contas, temos o seguinte panorama: de 192.000.000 de habitantes, 144.000.000 (cento e quarenta e quatro milhões) possuem um clube pelo qual torcem. Desta forma, flamengo e Corinthians teriam na realidade 18.720.000 (dezoito milhões e setecentos e vinte mil) torcedores.

· Terceira Conclusão: Corinthians e flamengo possuem, de fato, um número MUITO menor pelo que é apregoado pelos dois clubes e pelo que a imprensa sustenta e faz questão de divulgar.

Como já citei, outra coisa que chama atenção na pesquisa é o fato de outras regiões do país não serem levadas tanto em consideração. Sabemos perfeitamente que a representatividade da torcida do Vasco no Norte e no Nordeste deste país é grande o suficiente para que nossa posição nesse ranking fajuto fosse facilmente elevada. A pesquisa em questão entrevistou cerca de 9 mil pessoas que, segundo o IBOPE, corresponderia a 50 milhões de habitantes. Será?

Devemos ter em mente que uma pesquisa séria levaria em conta, quiçá em pé de igualdade, as cinco regiões do país. No entanto, apenas 9 mil pessoas de algumas das principais cidades do país foram escolhidas para representar 144 milhões de torcedores.

O que aconteceria se uma pesquisa realmente séria fosse feita?

O Blog ¨Sinopse do Futebol¨ (http://sinopsedofutebol.blogspot.com) divulgou recentemente alguns dados feitos com base em levantamentos através de redes sociais e de observações in loco. O objetivo da pesquisa era fazer um mapa da distribuição das torcidas de clubes cariocas, paulistas, mineiros e gaúchos pelo Brasil.

O resultado obtido foi o seguinte:

DISTRIBUIÇÃO GERAL

Legenda

· Quarta Conclusão: A distribuição das torcidas de clubes cariocas é amplamente maior que a de clubes de outros estados. Os paulistas vêm em segundo, gaúchos em terceiro e mineiros em quarto. Esses dois últimos possuem sua distribuição extremamente restrita à sua região.

DISTRIBUIÇÃO POR REGIÃO

NORTE

NORDESTE

CENTRO-OESTE

SUDESTE

SUL

· Quinta Conclusão: As regiões Norte e Nordeste possuem amplo domínio das torcidas de clubes cariocas, tendo alguns focos de torcedores de clubes paulistas. A região Centro-Oeste apresenta amplo domínio do futebol paulista. Regiões Sudeste e Sul distribuem-se de acordo com seus respectivos territórios com algumas expansões de paulistas e cariocas por Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Espírito Santo.

O portal IG, há algum tempo, inovou ao colocar no ar a ¨Torcida Virtual¨. Este sistema permite ao usuário do site, através de algumas redes sociais, cadastrar-se na torcida da qual faz parte. Além do entretenimento promovido pelo sistema, o site vai além: Através do sistema Google Maps, ele mostra a distribuição exata da torcida dos clubes pelo território brasileiro.

É claro que o número de pessoas cadastradas dificilmente chegará aos 144 milhões de torcedores que temos em nosso país mas, pelo menos, dá para termos uma noção da real distribuição das torcidas no Brasil:

VASCO

PALMEIRAS

SÃO PAULO

CRUZEIRO

· Sexta e última Conclusão: Fica clara a distribuição do Vasco sendo superior a do São Paulo, do Palmeiras e principalmente do Cruzeiro. Com isso, ouso afirmar que o Vasco figura entre as três maiores torcidas do país estando talvez num empate técnico com o Corinthians.

Apesar destes dados, não é difícil chegar a essa conclusão. Os números são dispensáveis quando vemos imagens como essas Brasil afora:

BOTECO DO CARIOCA - ARACAJU/SE

ARENA SÃO JANUÁRIO – MANAUS/AM

ESPÍRITO SANTO

CONFRARIA DO VASCO – MACEIÓ/AL

BLUMENAU/SC

JOÃO PESSOA/PB

BAHIA X VASCO – PITUAÇU/BA

CAMPO GRANDE/MS

CAMPINA GRANDE/PB

Isso são apenas fragmentos de uma torcida imensa e bem feliz por toda esta Terra de Santa Cruz. Alguém vê isso pelo país em tamanha intensidade quando o São Paulo, o Palmeiras ou o Cruzeiro se fazem presentes ou são campeões? Concordam que é uma brincadeira de mal-gosto colocar esses clubes na frente do Vasco quando o assunto é tamanho e representatividade de torcida?

Saudações Vascaínas.

domingo, 25 de dezembro de 2011

O Imbecil Coletivo




¨Levado por algum demônio oculto, meu cérebro se tornara cada vez mais atento e sensível às tolices irritantes que em doses cada vez maiores eu encontrava nos jornais, ditas por homens de letras nesta parte obscura do mundo, e das quais o anjo bom, movido pelos cuidados que lhe inspirava o alarmante inchaço do meu saco escrotal, me aconselhava em vão guardar a máxima distância e devotá-las a um merecido esquecimento¨
São com estas palavras retiradas do livro ¨O imbecil coletivo¨, do filósofo brasileiro Olavo de Carvalho que inicio meus trabalhos neste blog.
Pretendo, aqui, expor ideias sempre em defesa do que move cerca de 15 milhões de brasileiros: o Club de Regatas Vasco da Gama.
Este não será um blog meramente esportivo, embora o Vasco seja uma entidade ligada aos desportos. Iremos mais além.
Proponho uma página ideológica. Um local onde a história e a tradição do Vasco sejam tratadas de tal forma que possamos vislumbrá-las como um modo de vida, como um exemplo a ser seguido na convivência em sociedade. Pretendo trazer, aqui, pensamentos e opiniões que levantem-se sempre em defesa do Clube, mostrando a fidelidade, a lealdade, o respeito e a honra que caracteriza o sentimento do vascaíno para com a instituição. Em outras palavras, pretendo aqui mostrar uma verdadeira militância.
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Nos primeiros posts quero poder desmistificar alguns pontos. O título deste primeira postagem será o mesmo para as próximas e ele não estará aí à toa. Há um sentido.
Diferentemente de Olavo de Carvalho, não irei resguardar distância alguma nem irei ocultar em esquecimento as bobagens midiáticas que são publicadas diariamente e que são recebidas pela população que, em geral, é passiva de opinião. Essa passividade geralmente acarreta numa aceitação cega, seja por falta de conhecimento, por acomodamento ou até mesmo por vigarisse escancarada.
Analisemos o primeiro:
¨“Sensacional", “histórico”, “o maior de todos”. Estas são algumas das formas usadas pela torcida do Flamengo para definir o esquadrão que conquistou o mundo exatamente há 30 anos. Em 13 de dezembro de 1981, os gols de Nunes (2) e Adílio nocautearam o Liverpool, em Tóquio, e deram ao Rubro-Negro a maior glória de sua história. Na época, os japoneses pouco entendiam sobre o esporte e viram o time brasileiro precisar de apenas 45 minutos para liquidar a fatura.¨ Fonte: UOL
Recentemente foi comemorado os 30 anos do título da Copa Intercontinental, conquistado pelo flamengo. Esta data foi festejada em diversos meios de comunicação tendo a alcunha de título mundial. Mas, será que realmente eles foram campeões do mundo? Será que em apenas um jogo entre o vencedor da Libertadores e o vencedor da Europa e fazendo a exclusão de clubes da África, Ásia, Oceania e do resto da América, se obtém o campeão do mundo de determinado ano?
Vejamos:
Nos anos de 1951 e 1952, foi realizada no Rio de Janeiro, a chamada Copa Rio.
Este torneio, organizado pela FIFA, contava com a presença de alguns clubes do mundo como Juventus, Sporting, Peñarol e Olímpia. A imprensa brasileira apelidou na época de ¨Campeonato Mundial de Clubes¨. Além disso, o formato da Copa Rio era muito semelhante ao que vemos hoje no Mundial de Clubes da FIFA. Em 1953 o campeonato mudou de nome, passando a se chamar Torneio Octagonal Rivadávia Corrêa Meyer, sendo realizado no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Os campeões de 51, 52 e 53 foram, respectivamente: Palmeiras, Fluminense e Vasco
No topo da postagem estão, respectivamente:
· Distintivo do Torneio Rivadávia Corrêa Meyer, de 1953;
· Time do Palmeiras Campeão da Copa Rio de 1951;
· Time do Vasco Campeão da Copa Rio (Rivadávia Corrêa Meyer) de 1953
Mas, por que não vemos os campeões da Copa Rio (onde nós nos incluímos) batendo no peito e dizendo que são Campeões do Mundo? A resposta é simples: Na década de 1950, o Brasil vivia uma depressão muito forte no futebol devido a perda da Copa do Mundo de 1950 para o Uruguai em pleno Maracanã. O ¨Maracanazzo¨ implicou numa profunda descrença com o esporte, tanto por parte da imprensa quanto por parte dos brasileiros em geral. Logo, não era interessante valorizar algo em que o Brasil fracassou.
Finalmente, em 1958 em 1962 o futebol brasileiro conseguiu inflamar mais uma vez a população com os títulos Mundiais conquistados na Suécia e no Chile, respectivamente. Este período coincidiu com a primeira edição da Copa Intercontinental, idealizada por Santiago Bernabeu, presidente do Real Madrid. Na época, já existia a Copa dos Campeões da Europa mas na América do Sul não havia um similar. Sendo assim, em 1960 a Confederação Sulamericana cria a Taça Libertadores da América, em alusão à Liga dos Campeões da Europa. No mesmo ano ocorre sua primeira edição, o Peñarol bate o Olímpia na final e decide a Copa Interclubes com o Real Madrid, sendo o clube europeu o primeiro campeão Interclubes.
A partir dos dois primeiros títulos mundiais da Seleção Brasileira de Futebol, a população e a imprensa acabaram abraçando de uma vez por todas o esporte bretão. Em 1962 (ano do bi-mundial brasileiro) o Santos vence a Copa Intercontinental, repetindo o feito em 1963. Para a imprensa nacional, a afirmação da ascenção do futebol do Brasil. Motivos perfeitos para a imprensa e o povo declararem o Brasil, mais uma vez, campeão do mundo. Desta vez, de clubes.
Desde então, com a permanente escolha do futebol como esporte brasileiro, todas as edições da Copa Interclubes (copa essa que nunca foi organizada pela FIFA) foram tidas como decisões mundiais. Em 2001, alguns dirigentes do Palmeiras, por meio de dossiê, tentaram convencer a FIFA que o clube foi campeão do mundo devido ao título da Copa Rio de 1951. Como resposta, em 2007, a entidade máxima do futebol diz não reconhecer a Copa Rio e a Copa Intercontinental tendo oficializado apenas a Copa do Mundo de Clubes da FIFA, organizada pela própria entidade.
Ou seja: Santos, flamengo e Grêmio jamais foram campeões do mundo sendo que os únicos brasileiros campeões mundiais são o Internacional, com o título de 2006 e o São Paulo, com o título de 2005.
Em resumo, pode-se concluir que há muito a imprensa influi na opinião geral ao seu bel prazer. É claro que a ¨flapress¨ não iria perder esse bonde e deixar de participar. Embora o mundial de 81 jamais ter existido, é claro que eles iriam comemorar. Uma mentira dita várias vezes acaba se tornando verdade...mas não para nós!
O fato é que as provas são irrefutáveis e pessoas que buscam incessantemente a verdade sempre existirão. Esse é o pior pesadelo da mídia rubro-negra.
Saudações Vascaínas.