sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

E a Tradição, onde fica?


¨Eu, Roberto Dinamite, estou satisfeito com a nova camisa 3 e tenho certeza que a torcida vai entender o motivo. A atenção destinada a este lançamento, voltou os olhos da nossa grande torcida, da imprensa e até mesmo dos outros clubes para o Vasco.

O novo uniforme foi inspirado e desenvolvido tomando como base o contexto histórico e momento atual de conquistas do clube.

O Club de Regatas Vasco da Gama tem este nome em homenagem ao navegador, que teve as suas maiores façanhas desbravando os mares do mundo para conquistar novos povos e riquezas para a Coroa Portuguesa.

Além das cores branca e azul estarem presentes na primeira bandeira de Portugal, o azul reflete o domínio dos mares, tanto do homem que iniciou vencendo os oceanos e logo após conquistando nações, quanto do clube, que iniciou sua trajetória no Remo e consagrou-se vitorioso nos gramados.

Ser campeão da Libertadores é o desejo de todo torcedor. O Vasco encontra-se novamente diante deste grande desafio: a conquista da América. Como os Cavaleiros Templários, o nosso bravo Exército da Colina está partindo para uma nova série de batalhas, cruzando o continente em busca da taça.

Assim como o Vasco entrou em campo com uma armadura em 2010 para celebrar o estado de gloria, em 2012 é um novo momento de enfileirar nossos templários, vestir nossa armadura, e unidos, conquistar países e corações em busca da Libertadores.

Convoco você, torcedor vascaíno, a se alistar nessa cruzada e ajudar que as histórias de conquistas do navegador e clube Vasco da Gama continuem sendo escritas por nossos jogadores, e que cada batalha pela Taça Libertadores da América seja vitoriosa.¨

Estamos juntos,

Roberto Dinamite
Presidente do CRVG, CAMPEÃO DE TERRA E MAR

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Enquanto a luz vermelha da situação financeira do Vasco se acende, o nosso Presidente se preocupa em ir à público para defender a patética terceira camisa lançada pela Penalty em parceria com a Cavalera. Não bastasse ter sido trazida à publico como foi (com o vazamento da camisa antes da divulgação oficial) os fatos que mais espantaram os vascaínos foram a extrema falta de criatividade das empresas – visto que o modelo é igual à terceira camisa de 2010, alterando somente às cores – e a completa falta de respeito à Tradição e ao Estatuto do Club de Regatas Vasco da Gama.

O Estatuto oficial do Vasco, lançado em julho de 1979 é bem claro no seu artigo 7º: ¨O pavilhão do Clube é preto, com uma faixa branca em diagonal partindo do canto superior do lado da tralha, a Cruz de Malta em vermelho no centro e na parte superior duas estrelas douradas, uma ao lado da outra; uma delas simbolizando as conquistas dos Campeonatos Invicto de Mar e Terra no ano de 1945 e a outra a do Campeonato Brasileiro de Futebol do ano de 1974. As cores da bandeira e a Cruz de Malta serão reproduzidas nos uniformes, emblemas e insígnias usadas pelo clube.¨
Como já postulei noutra postagem neste blog, o nosso Estatuto carece de reformulações, afinal, muita coisa se passou de 1979 pra cá e de duas estrelas, passamos a ter oito (4 brasileiros, 3 sulamericanos e o Título de Terra e Mar). Mas, enquanto não há uma atualização da Carta Magna Vascaína, devemos respeitá-la como está! Portanto, o que o Sr. Presidente comete, ao aceitar e satisfazer-se com este Vasco Azul, é um crime. Um crime contra a instituição VASCO DA GAMA, contra aos atletas que conquistaram os nossos mais valiosos títulos vestindo a camisa preta com a diagonal branca (ou vice-versa) e, principalmente, um crime contra quem é o Vasco de fato e de direito: a torcida.

Numa pesquisa realizada na NETVASCO, maior site de informações sobre o Clube, cerca de 80% dos vascaínos rejeitaram o terceiro uniforme. Ora, Sr. Presidente, quer prova mais cabal de que somos CONTRA a mais esse ardiloso golpe em busca de um ¨Novo Vasco¨? Não foi o Sr. que foi um dos primeiros a levantar-se contra a administração Eurico Miranda dizendo que o Vasco era um Clube historicamente democrático e que o que vivíamos era uma ditadura? E essa sua atitude em impor a nós este uniforme anti-Vasco querendo ainda convencer-nos de que ¨entenderemos o motivo¨ é democracia?

Gastou nosso dinheiro – já contado, diga-se de passagem - à toa para produzir esta camisa que, muito provavelmente, será um fracasso de vendas e que não irá instigar o torcedor vascaíno a comparecer aos estádios para ver um Cruzeiro da Gama jogar.

Sinceramente, não sei o que estimula o nosso Presidente a atitudes de tão baixa inteligência e de tamanha falta de compromisso com o Clube. Apoio da torcida com certeza não é, afinal, acho que só ele não sabe que nós já temos uma armadura. A armadura com a qual, no Chile, conquistamos a América pela primeira vez em 1948, reconquistando-a em 98 no Equador e em 2000 em São Paulo; a armadura com a qual vencemos outras guerras internacionais como a Copa Rio de 53 e o Torneio de Paris de 57; a armadura com a qual, ano passado, entramos na batalha final contra o Coritiba em território inimigo e, mesmo perdendo, saímos vitoriosos da guerra; a armadura com a qual nos impomos contra Cruzeiro, São Paulo, Palmeiras e São Caetano, na conquista dos nossos 4 brasileiros; enfim, nossa armadura mundialmente conhecida: A camisa que representa o nosso estandarte e com a qual impomos respeito onde quer que estejamos.

Pare de invencionice, Sr. Presidente. Não há ¨Novo Vasco¨ que supere a tradição e a história construída pelo bom e ¨Velho Vasco¨.

Saudações Vascaínas

domingo, 15 de janeiro de 2012

O papel do vascaíno na política do Clube




Nos últimos anos temos acompanhado uma briga sistemática dentro política do Club de Regatas Vasco da Gama. Luta essa que além de dividir a opinião de torcedores e associados, promovem uma verdadeira cisão dentro das dependências do Vasco. Grupos heterogêneos se formaram e a coerção com a opinião alheia chegou a tal ponto que a intolerância tomou forma de violência verbal e até física entre vascaínos. Fato inédito no clube. Neste vídeo, por exemplo, é mostrada uma briga entre torcedores de duas facções organizadas, a Força Jovem do Vasco (FJV) e a Ira Jovem do Vasco (IJV), que ocorreu durante o Campeonato Brasileiro de 2007. Tudo motivado pela política.

Toda essa história teve início concreto 13 de novembro de 2006 quando a chapa do grupo político CASACA! (do candidato da situação, Eurico Miranda) venceu as eleições para o Conselho Deliberativo. Em 08 de março de 2007 a Justiça acatou a denúncia feita pelo MUV – Movimento Unido Vascaíno (chapa oposicionista liderada por Roberto Dinamite) de uma possível irregularidade com uma das urnas. A situação, por sua vez, conseguiu uma liminar que adiou o processo por dez meses. Em 2008, as eleições foram oficialmente canceladas e em junho do mesmo ano novas eleições foram realizadas tendo como vencedora a chapa de Roberto Dinamite. Estabelecida a vitória de Dinamite como novo Presidente do Vasco, um turbilhão de ataques de ambos os lados se consolidou permanecendo até os dias de hoje.

Atualmente, existem três grupos políticos no Clube: o CASACA! (hoje, a maior força oposicionista), o MUV (que embora fragmentado, permanece no poder) e a Cruzada Vascaína (fundada em 2009 e tida como uma terceira via).

O ano de 2011 foi marcado, dentre outras coisas, por mais uma eleição no Vasco. O triênio do primeiro mandato de Dinamite se encerrara e um novo pleito foi realizado. A princípio, cinco chapas foram inscritas, a saber:

- Seremos Campeões – José Henrique Coelho (dissidente do MUV);

- Vasco Valente – Pedro Valente (Representante do CASACA!);

- O Vasco Pode Mais – Jayme Lisboa Alves (Sem representação política);

- Cruzada Vascaína – Leonardo Gonçalves (Presidente do grupo político homônimo);

- O Sentimento Tem Que Continuar – Roberto Dinamite (Atual Presidente).

Ao longo do processo, José Henrique Coelho retirou sua chapa do pleito assim como Pedro Valente. Restaram apenas três chapas. Terminada a votação, a chapa encabeçada pelo MUV venceu por 2390 votos, seguido da Cruzada Vascaína com 247 votos e 61 da chapa O Vasco Pode Mais. Como as eleições no Vasco são indiretas o que é formado na votação é o Conselho Deliberativo. Este, em novembro de 2011, elegeu Roberto Dinamite como Presidente do Vasco para o triênio 2011-2014.

Depois deste apanhado geral, entremos no assunto proposto: qual o papel que nós, sócios e torcedores, devemos ter perante essa situação?

Primordialmente devemos ter uma opinião em relação a atual gestão. Nada de centrismo nem de conformidade. Para contribuir na manutenção de um Vasco forte devemos, antes de tudo, conhecer quem está à frente do Clube trabalhando para isso. Fiscalizar e criticar (lembrando que a palavra crítica significa ter critério em opinar, sendo assim, pode haver críticas positivas e negativas) são atitudes essenciais para que haja um termômetro efetivo da administração do Vasco.

Em segundo lugar, devemos conhecer os grupos políticos do Vasco bem como as suas propostas. Para isso é necessário buscar as fontes primárias, ou seja, documentos, artigos e idéias que estejam partindo do próprio grupo. Desta forma, diminui-se o teor de manipulação ao passo que forma vascaínos críticos e capacitados e conscientes da situação política do Clube.

Por fim, deve-se tomar uma posição. Qualquer postura é aceitável, menos a passividade. Aquele que acompanha o dia-a-dia do Vasco e deseja continuar fazendo parte de um Clube grande e em permanente ascenção deve ou pertencer, ideológica ou ativamente, a um dos três grandes grupos políticos já citados ou ter idéias próprias referentes a administração do Vasco. Em outras palavras, é imprescindível que o vascaíno tenha de exercer sua cidadania dentro do Clube tendo uma opinião política ativa.

Colocando-me como exemplo, acredito que me encontro em tendências ao CASACA!, pelo tradicionalismo convicto, pela defesa irrefutável dos ideais do Vasco frente à grande mídia e a outros detratores da história cruzmaltina. O documento ¨Compromisso com o futuro¨, lançado para a campanha eleitoral de 2011, confirma esses aspectos.

Entretanto, confesso posicionar-me também em coerência com alguns dos princípios da Cruzada Vascaína no que diz respeito ao Presidente do Clube que esteja em exercício (seja ele quem for), a união das forças políticas em busca de um Vasco internamente forte e a reforma, em alguns pontos, do nosso Estatuto que encontram-se claramente ultrapassados.

Uma coisa é certa. Não compactuo com o MUV. Não consigo apoiar um grupo que não respeita o Estatuto vigente (vide a incoerência com a tradição do Vasco postulada no Art. 7º e a terceira camisa lançada em 2010 e as eleições realizadas no meio do ano quando, de acordo com o Art. 58º, deveriam ser realizadas na primeira quinzena de novembro), entrega-se de braços abertos aos opressores (a inoperância em brigar por jogos em São Januário e em reclamar pelos gritantes erros de arbitragem que acontecem constantemente contra o Vasco), pretende transformar o Vasco num Clube-Empresa (aceitando calada a proposta da famigerada Lei Pelé) e que visa transformar o Clube, que é popular, em elitista e de moda (campanha do recorde de tatuagens em 2010). Respeito o sr. Roberto Dinamite pelos serviços prestados ao Vasco como jogador e por ser, inegavelmente, um ídolo do nosso Clube. Mas não posso esquecer que em 2008 estávamos em 8º (oitavo) lugar no Campeonato Brasileiro quando, de formas não tão lícitas, o MUV assumiu o Vasco e todos sabem o que aconteceu no final.

Devemos ter posições definidas. É obrigação prezar pela grandeza do Clube de acordo com nossas convicções ideológicas referentes a ele, tendo sempre em mente que, na política, nossos nomes podem ser diferentes mas o sobrenome ¨Vasco¨ é o mesmo.

Saudações Vascaínas.


terça-feira, 3 de janeiro de 2012

A Ideologia Vascaína



Quando me propus a desenvolver este blog, tinha em mente a idéia de fazer algo que transcendesse o âmbito do futebol e do esporte de uma forma geral. É claro que, como vascaínos, devemos sempre estar a par do que ocorre no cenário desportivo do nosso Clube afinal, de acordo com o artigo primeiro do nosso estatuto, são as atividades esportivas, recreativas, assistenciais, educacionais e filantrópicas que movem o C. R. Vasco da Gama. No entanto, temos inúmeros outros sites e blogs que tratam destes temas sendo que, se eu aqui mantivesse esta mesma linha, me tornaria repetitivo. Como citei na primeira postagem, pretendo seguir à risca o nome MILITÂNCIA VASCAÍNA e construir uma página com ideais e pensamentos vascaínos, fazendo uma interface da história do Clube com o que hoje está em vigor no Vasco e no Brasil.

Para isso, devemos ter de entender o conceito de ideologia. Ideologia, segundo o ¨Dicionário escolar da língua portuguesa¨ (1986) de Francisco da Silveira Bueno, é, dentre outras coisas, ¨um sistema de idéias, convicções religiosas e políticas.¨

O ideário de uma convicção política no Vasco não é de difícil entendimento. Podemos apresentar este tema em dois aspectos. Um específico e outro ampliado: 1) a esfera política do Vasco que encontra-se fragmentada, obrigando-nos a tomar uma decisão sobre qual lado devemos ficar; 2) a política geral do Clube perante a outros clubes e a mídia controladora.

O conceito de religião, segundo o mesmo livro de Francisco da Silveira Bueno, significa ¨um conjunto de práticas e princípios que regem as relações entre o homem e a divindade¨. Claro que não devemos comparar o Vasco a um Deus ou a uma inteligência inatingível, mas é notório que nós, vascaínos, possuímos fidelidade e regimento intrínsecos que se comparam ao sentimento religioso. Que vascaíno legítimo nunca abdicou de alguma atividade em determinado dia porque tinha jogo do Vasco? Que vascaíno legítimo nunca comprou briga por alguém ter falado alguma imbecilidade referente ao Clube? Que vascaíno legítimo nunca sacrificou-se para assistir ao Vasco longe da sua casa e de seus familiares? Deve-se admitir que não há exagero algum quando nós, torcedores leais, entoamos: ¨Vasco da Gama, minha paixão! Vasco da Gama, religião!¨.

Posto isso, qual é a ideologia do Vasco? O que norteia do Clube e que, por conseguinte, nos norteia também?

A história do Vasco é fortemente marcada por alguns princípios básicos: superação, dignidade, pioneirismo, caráter, humildade, democracia, igualdade e conquista.

O C.R. Vasco da Gama, fundado em 21 de agosto de 1898, surgiu como instituição desportiva ligada ao remo. Jovens do Rio de Janeiro estavam cansados de deslocarem-se à Niterói para praticar o esporte. Desta forma, cerca de 62 homens (portugueses e não portugueses), reunidos numa sala da Sociedade Dramática Filhos da Talma, no bairro da Saúde no Rio de Janeiro, decidiram instituir o Club de Regatas Vasco da Gama.

"Aos 21 dias do mês de agosto de 1898, às 2:30 horas da tarde, reunidos na sala do prédio da Rua da Saúde número 293 os senhores constantes do livro de presenças, assumiu a presidência o Sr. Gaspar de Castro e depois de convidar para ocuparem as cadeiras de secretários os senhores Virgílio Carvalho do Amaral como primeiro e Henrique Ferreira como segundo, declarou que a presente reunião tinha o fito de fundar-se nesta Capital da República dos Estados Unidos do Brasil, uma associação com o título de Club de Regatas Vasco da Gama (...)"

Com as históricas palavras da ata de fundação a história do Vasco tem início. Permanecemos como um clube restrito à prática do remo até o ano de 1915. Neste período, a prática do futebol começava a ganhar popularidade no Brasil e no Rio de Janeiro que, até então, era a capital brasileira. Voltando dois anos, em 1913, a convite do Botafogo, uma seleção de Lisboa desembarcou no Rio para a inauguração do estádio de General Severiano. A passagem desta seleção motivou membros da colônia portuguesa residentes na capital do Brasil a criarem clubes de futebol. Três inexpressivos clubes foram fundados, dentre eles o Lusitânia Futebol Clube. O Lusitânia, em novembro de 1915, foi fundido ao Vasco fazendo surgir o nosso departamento de futebol. Assim, a prática do esporte bretão, que é a paixão do brasileiro, surgiu para nós há 96 anos.

Em 1916 o Vasco estrearia na terceira divisão do carioca permanecendo até 1920. Em 1922 o Vasco conquista a segunda divisão tendo o direito de disputar a primeira no ano seguinte. Nossa primeira característica ideológica: a humildade. Começamos por baixo e chegamos no patamar dos grandes por merecimento.

Até então, futebol era um esporte da elite. Segundo as palavras do ex-presidente do Vasco, Eurico Miranda, ¨os antigos torcedores eram senhores que iam aos estádios com chapéu gelô e polaina acompanhando suas senhoras que portavam sombrinhas e vestidos longos¨. De fato, toda essa elegância apresentada pela torcida refletia na alta sociedade que freqüentava os estádios de futebol. Nomes de clubes como ¨Sport Club Corinthians Paulista¨, ¨Fluminense Football Club¨, ¨Grêmio de Foot-ball Portoalegrense¨ e até mesmo o ¨América Football Club¨ denunciam a grande influência Britânica no esporte que foi adotado no Brasil.

Eis que, em 1923 surge na elite do futebol carioca um clube da zona-norte que, apesar da ascendência portuguesa, abriu as portas para negros, pobres e operários. Nossa segunda característica ideológica: o pioneirismo. O pensamento dos ditos grandes quando o Vasco ascendeu à elite foi de indiferença. Afinal, em que um clube da segunda divisão cujos jogadores moravam em alojamentos e treinavam num campinho que nem para jogos oficiais servia poderia ameaçar? Poder-se-ia colocar quantos negros e pobres os portugueses quisessem que tudo iria continuar como sempre foi, ou seja, os clubes grandes da elite branca, dominando os menores.

Time do Botafogo em 1907

Time do Fluminense em 1918

Time do flamengo em 1912

Time do Vasco em 1923

Quantos negros você consegue ver nos três primeiros times acima? E no Vasco?

Soberba. Quanto mais o Vasco jogava, mais vencia. O desprezo se transformou em inveja quando, ao final do Carioca de 23, levantamos a taça com 12 vitórias de 14 jogos.

Preocupados com a guinada que o Vasco apresentou nos últimos anos e tentando evitar que isso acontecesse nos próximos anos, membros da elite do esporte carioca passaram a perseguir o Vasco fazendo investigação das posições sociais dos atletas do Clube. Em 1924, Carlos Guinle, presidente da AMEA (Associação Metropolitana de Esportes Athléticos) fundada recentemente pelos 5 grande clubes do Rio de Janeiro (Fluminense, Botafogo, América, Bangu e flamengo) determinou que o Vasco, se quisesse participar desta nova liga, deveria dispensar do seu plantel 12 de seus jogadores pois estes teriam ¨origem duvidosa¨. Racismo escancarado. Como revide, o presidente do Vasco, Dr. José Augusto Prestes, emitiu a 7 de abril de 1924, a ¨Resposta Histórica¨. O maior título do Vasco fora dos gramados:

"Rio de Janeiro, 7 de Abril de 1924.

Ofício nr. 261

Exmo. Sr. Dr. Arnaldo Guinle

M.D. Presidente da Associação Metropolitana de Esportes Atléticos

As resoluções divulgadas hoje pela imprensa, tomadas em reunião de ontem pelos altos poderes da Associação a que V.Exa tão dignamente preside, colocam o Club de Regatas Vasco da Gama numa tal situação de inferioridade, que absolutamente não pode ser justificada nem pela deficiência do nosso campo, nem pela simplicidade da nossa sede, nem pela condição modesta de grande número dos nossos associados.

Os privilégios concedidos aos cinco clubes fundadores da AMEA e a forma por que será exercido o direito de discussão e voto, e feitas as futuras classificações, obrigam-nos a lavrar o nosso protesto contra as citadas resoluções.

Quanto à condição de eliminarmos doze (12) dos nossos jogadores das nossas equipes, resolve por unanimidade a diretoria do Club de Regatas Vasco da Gama não a dever aceitar, por não se conformar com o processo por que foi feita a investigação das posições sociais desses nossos consócios, investigações levadas a um tribunal onde não tiveram nem representação nem defesa.

Estamos certos que V.Exa. será o primeiro a reconhecer que seria um ato pouco digno da nossa parte sacrificar ao desejo de filiar-se à AMEA alguns dos que lutaram para que tivéssemos entre outras vitórias a do campeonato de futebol da cidade do Rio de Janeiro de 1923.

São esses doze jogadores jovens, quase todos brasileiros, no começo de sua carreira e o ato público que os pode macular nunca será praticado com a solidariedade dos que dirigem a casa que os acolheu, nem sob o pavilhão que eles, com tanta galhardia, cobriram de glórias.

Nestes termos, sentimos ter que comunicar a V.Exa. que desistimos de fazer parte da AMEA.

Queira V.Exa. aceitar os protestos de consideração e estima de quem tem a honra de se subscrever, de V.Exa. At. Vnr. Obrigado

(a) Dr. José Augusto Prestes - Presidente"

Mais quatro características ideológicas: o caráter, a dignidade, a igualdade e a democracia.

Desta forma o Vasco permaneceu na LMDT (Liga Metropolitana de Desportos Terrestres) e foi novamente campeão carioca por esta associação em 1924. Um ano se passou e em 1925 o Vasco foi admitido na AMEA, mesmo com seus jogadores negros, pobres, nordestinos e mulatos.

Anos mais tarde, mais um impasse para o Vasco permanecer na AMEA: ter um estádio. Os grandes diziam que não poderiam permitir a presença do Vasco na liga até o Clube ter um estádio próprio. Até então, o Vasco disputava seus jogos no campo do Andaraí. Com isso, entre 1924 e 1926 a diretoria do Vasco começou a angariar fundos para a construção da praça de esportes do Clube. Em 1925, foi adquirido um terreno no alto de uma colina no bairro de São Cristóvão e lá, os sócios, a vizinhança e os torcedores comuns do Clube começaram, em junho de 1926, a construir o estádio do Vasco. Menos de um ano quase um ano mais tarde, o Estádio Vasco da Gama estava consolidado, tendo o jogo inaugural em 21 de abril de 1927 contra o Santos. Nossa sétima característica ideológica: a superação.

A partir daí o Vasco começou a reafirmar-se como grande clube que era, figurando sempre entre os grandes. Em 1942 surgiu o nosso inesquecível Expresso da Vitória que reafirmou nosso pioneirismo ao fazer do Vasco, em 1948, o primeiro clube Brasileiro campeão de um torneio internacional: O Campeonato Sul-Americano de Clubes. Vencemos de forma invicta a competição que, em 1996, foi considerada pela CONMEBOL como embrião da Taça Libertadores da América. Foi graças a Barbosa, Ademir, Bellini, Danilo, Eli, Friaça, Ipojucan, Tesourinha, Rafagnelli, Sabará, Maneca, Lelé, Jorge, Chico e Augusto que pudemos confirmar a característica ideológica que nos marca com mais veemência: a conquista. Esta e outras características que fazem do Vasco um exemplo para a vida em sociedade foram ratificadas ao longo dos anos e da história do Vasco. A presença do primeiro presidente negro num clube, Cândido José de Araújo, em 1905 e o surgimento do Colégio Vasco da Gama, em 2004 marcam o pioneirismo, a humildade, a democracia e a igualdade; Os diversos títulos vencidos pelo Vasco, como os 22 Estaduais da primeira divisão, os 4 Campeonatos Brasileiros, a Copa do Brasil, as 3 Copas Rio-São Paulo, o título da Libertadores no ano de Centenário, dentre outros, são reafirmações da conquista que não é uma opção no Vasco, mas um destino; Por fim, a virada histórica em cima do Palmeiras no título da Mercosul de 2000, a recuperação em 2011 após uma década perdida (2001 – 2010) seguida da retomada do sentimento vascaíno após a queda para segunda divisão em 2008 e posterior conquista do título da Série B no ano seguinte, além da recente virada em cima do Universitário do Peru pela Copa Sulamericana, mostram que nosso poder de superação ainda é forte e que não se deve nunca duvidar do Vasco.

O conjunto de crenças e convicções do Vasco é marcante e único. Devemos sempre ter foco nele. A ideologia vascaína construiu uma instituição vencedora e ela deve continuar sendo base para a fomentação de cidadãos de bem com vistas no compromisso com um futuro formado por pessoas menos arrogantes, prepotentes e presunçosas.

Saudações Vascaínas.