domingo, 15 de janeiro de 2012

O papel do vascaíno na política do Clube




Nos últimos anos temos acompanhado uma briga sistemática dentro política do Club de Regatas Vasco da Gama. Luta essa que além de dividir a opinião de torcedores e associados, promovem uma verdadeira cisão dentro das dependências do Vasco. Grupos heterogêneos se formaram e a coerção com a opinião alheia chegou a tal ponto que a intolerância tomou forma de violência verbal e até física entre vascaínos. Fato inédito no clube. Neste vídeo, por exemplo, é mostrada uma briga entre torcedores de duas facções organizadas, a Força Jovem do Vasco (FJV) e a Ira Jovem do Vasco (IJV), que ocorreu durante o Campeonato Brasileiro de 2007. Tudo motivado pela política.

Toda essa história teve início concreto 13 de novembro de 2006 quando a chapa do grupo político CASACA! (do candidato da situação, Eurico Miranda) venceu as eleições para o Conselho Deliberativo. Em 08 de março de 2007 a Justiça acatou a denúncia feita pelo MUV – Movimento Unido Vascaíno (chapa oposicionista liderada por Roberto Dinamite) de uma possível irregularidade com uma das urnas. A situação, por sua vez, conseguiu uma liminar que adiou o processo por dez meses. Em 2008, as eleições foram oficialmente canceladas e em junho do mesmo ano novas eleições foram realizadas tendo como vencedora a chapa de Roberto Dinamite. Estabelecida a vitória de Dinamite como novo Presidente do Vasco, um turbilhão de ataques de ambos os lados se consolidou permanecendo até os dias de hoje.

Atualmente, existem três grupos políticos no Clube: o CASACA! (hoje, a maior força oposicionista), o MUV (que embora fragmentado, permanece no poder) e a Cruzada Vascaína (fundada em 2009 e tida como uma terceira via).

O ano de 2011 foi marcado, dentre outras coisas, por mais uma eleição no Vasco. O triênio do primeiro mandato de Dinamite se encerrara e um novo pleito foi realizado. A princípio, cinco chapas foram inscritas, a saber:

- Seremos Campeões – José Henrique Coelho (dissidente do MUV);

- Vasco Valente – Pedro Valente (Representante do CASACA!);

- O Vasco Pode Mais – Jayme Lisboa Alves (Sem representação política);

- Cruzada Vascaína – Leonardo Gonçalves (Presidente do grupo político homônimo);

- O Sentimento Tem Que Continuar – Roberto Dinamite (Atual Presidente).

Ao longo do processo, José Henrique Coelho retirou sua chapa do pleito assim como Pedro Valente. Restaram apenas três chapas. Terminada a votação, a chapa encabeçada pelo MUV venceu por 2390 votos, seguido da Cruzada Vascaína com 247 votos e 61 da chapa O Vasco Pode Mais. Como as eleições no Vasco são indiretas o que é formado na votação é o Conselho Deliberativo. Este, em novembro de 2011, elegeu Roberto Dinamite como Presidente do Vasco para o triênio 2011-2014.

Depois deste apanhado geral, entremos no assunto proposto: qual o papel que nós, sócios e torcedores, devemos ter perante essa situação?

Primordialmente devemos ter uma opinião em relação a atual gestão. Nada de centrismo nem de conformidade. Para contribuir na manutenção de um Vasco forte devemos, antes de tudo, conhecer quem está à frente do Clube trabalhando para isso. Fiscalizar e criticar (lembrando que a palavra crítica significa ter critério em opinar, sendo assim, pode haver críticas positivas e negativas) são atitudes essenciais para que haja um termômetro efetivo da administração do Vasco.

Em segundo lugar, devemos conhecer os grupos políticos do Vasco bem como as suas propostas. Para isso é necessário buscar as fontes primárias, ou seja, documentos, artigos e idéias que estejam partindo do próprio grupo. Desta forma, diminui-se o teor de manipulação ao passo que forma vascaínos críticos e capacitados e conscientes da situação política do Clube.

Por fim, deve-se tomar uma posição. Qualquer postura é aceitável, menos a passividade. Aquele que acompanha o dia-a-dia do Vasco e deseja continuar fazendo parte de um Clube grande e em permanente ascenção deve ou pertencer, ideológica ou ativamente, a um dos três grandes grupos políticos já citados ou ter idéias próprias referentes a administração do Vasco. Em outras palavras, é imprescindível que o vascaíno tenha de exercer sua cidadania dentro do Clube tendo uma opinião política ativa.

Colocando-me como exemplo, acredito que me encontro em tendências ao CASACA!, pelo tradicionalismo convicto, pela defesa irrefutável dos ideais do Vasco frente à grande mídia e a outros detratores da história cruzmaltina. O documento ¨Compromisso com o futuro¨, lançado para a campanha eleitoral de 2011, confirma esses aspectos.

Entretanto, confesso posicionar-me também em coerência com alguns dos princípios da Cruzada Vascaína no que diz respeito ao Presidente do Clube que esteja em exercício (seja ele quem for), a união das forças políticas em busca de um Vasco internamente forte e a reforma, em alguns pontos, do nosso Estatuto que encontram-se claramente ultrapassados.

Uma coisa é certa. Não compactuo com o MUV. Não consigo apoiar um grupo que não respeita o Estatuto vigente (vide a incoerência com a tradição do Vasco postulada no Art. 7º e a terceira camisa lançada em 2010 e as eleições realizadas no meio do ano quando, de acordo com o Art. 58º, deveriam ser realizadas na primeira quinzena de novembro), entrega-se de braços abertos aos opressores (a inoperância em brigar por jogos em São Januário e em reclamar pelos gritantes erros de arbitragem que acontecem constantemente contra o Vasco), pretende transformar o Vasco num Clube-Empresa (aceitando calada a proposta da famigerada Lei Pelé) e que visa transformar o Clube, que é popular, em elitista e de moda (campanha do recorde de tatuagens em 2010). Respeito o sr. Roberto Dinamite pelos serviços prestados ao Vasco como jogador e por ser, inegavelmente, um ídolo do nosso Clube. Mas não posso esquecer que em 2008 estávamos em 8º (oitavo) lugar no Campeonato Brasileiro quando, de formas não tão lícitas, o MUV assumiu o Vasco e todos sabem o que aconteceu no final.

Devemos ter posições definidas. É obrigação prezar pela grandeza do Clube de acordo com nossas convicções ideológicas referentes a ele, tendo sempre em mente que, na política, nossos nomes podem ser diferentes mas o sobrenome ¨Vasco¨ é o mesmo.

Saudações Vascaínas.


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