domingo, 2 de setembro de 2012

O malminorismo neo-vascaíno




¨Ao menos estamos no G-4¨

Se tem algo que é chega perto do indizível no Vasco - além da própria diretoria, comissão técnica e do time confiado ao Clube - é a passividade e a falsa inevitabilidade adquirida pela maioria dos próprios torcedores com o advento da década 2000 e da ¨Geração Sentimento¨.
Essa espécie de ¨vascainidade light¨ impede que a nova geração (e mesmo alguns da velha guarda!) enxergue o Club de Regatas Vasco da Gama como a ¨locomotiva, e não o vagão¨. A própria essência do Vasco é vencedora e é nela que devemos nos escorar a partir do momento em que admitimos o ¨ser-Vasco¨ em nós. Do contrário, acusando a uma fatalidade etérea o fato de não estarmos tão bem quanto deveríamos, fugimos da responsabilidade em ajudar a devolver ao Vasco aquilo lhe é intrínseco.

Não é meu papel desenvolver aqui por quais caminhos e quem foram os diretos responsáveis pela queda do credo vencedor que o vascaíno sempre deve ter. Que seu bom senso, torcedor, seja sua principal fonte! O fato é que os últimos dez anos - incompatíveis com a história do Vasco – fizeram com que o vascaíno perdesse o ¨fio da meada¨ com o qual percebemos a verdadeira identidade vascaína: a moral permanentemente vencedora. Mesmo que a vitória não venha no campo, mesmo que soframos derrotas noutros âmbitos desportivos, MORALMENTE a vitória SEMPRE SERÁ do Vasco. Os princípios da moralidade – que, acredito eu, poucos ou talvez nenhum outro clube os tenha - por sua vez, têm base na razão e na defesa da dignidade de um povo, impedindo, portanto, de ser fomentado nos desejos. Dessa forma, não depende da nossa vontade que a essência do Vasco seja vencedora; ela foi, é e sempre será assim, cabendo a nós reconhecê-la e defendê-la a todo custo para que as próximas gerações tenham ciência daquilo que os chamou a fazer parte.

Nossos antepassados construíram esse legado vascaíno e é um atentado, não só à honra dos nossos ilustres antecessores como também à honra dos novos que virão, bem como à honra do C. R. Vasco da Gama. Salta aos olhos o fato de que a diretoria atual promove (e está aí para isso) essa neo-vascainidade. Cabe a nós, verdadeiros vascaínos, irmos de encontro à correnteza da impostura.

¨Quando o Vasco em qualquer desafio,
Lança em campo o seu grito de guerra,
Invencível, nervoso, arrepio,
Fazer tremer o rival e a terra!¨

Saudações Vascaínas!

sábado, 3 de março de 2012

A relação entre o Vasco e o Catolicismo




O Club de Regatas Vasco da Gama é, sem dúvida, o único clube brasileiro entre os grandes que carrega consigo uma religiosidade: a fé católica. Apesar de estarmos vivendo uma época - dita por alguns - pós-cristã, graças ao advento de pensamentos ateístas e/ou assincrônicos ao Cristianismo, nos seus 113 anos, o Vasco fez questão de manter seu tradicionalismo cristão católico sem medo ou receio de represália.
O Cristianismo Vascaíno vem antes mesmo da fundação do Clube. Quando alguns remadores da cidade do Rio de Janeiro resolveram, em 1898, fundar um Clube de Regatas, eles recorreram a comerciantes portugueses. Estes, em comum acordo com os praticantes do esporte náutico, decidiram homenagear e trilhar a história daquele que, na época, completava 400 anos de descoberta do caminho marítimo para as Índias: o navegador português Vasco da Gama. Sabe-se que Portugal é um país de extrema tradição católica e naquela época não era diferente. A nobreza real e a Igreja Católica sempre tiveram uma relação de muita proximidade sendo, inclusive, um requisito necessário para a coroação de um Rei português, que este e sua família fossem católicos. Os almirantes, como possuintes de cargos de confiança da Coroa Portuguesa, também deveriam seguir a fé católica e um dos objetivos de suas missões seria levar, na sua tripulação, sacerdotes para que a palavra de Cristo fosse ensinada e difundida aos povos primitivos sem religião. Desta forma, compreende-se o motivo de as Caravelas portuguesas (incluindo a de Vasco da Gama) levarem a Cruz-de-Cristo em suas velas.
Addendum: A Cruz-de-Malta, que consta no estatuto do C.R. Vasco da Gama e que é representada nos uniformes e bandeiras do Clube, é uma variação da Cruz-Pátea da qual também varia a Cruz-de-Cristo. Apesar da confusão e das variações, todas simbolizam o Cristianismo. Confira aqui as diferenças.
Entendendo a história católica portuguesa e, consequentemente, a história dos Almirantes, conseguimos entender o símbolo maior do Vasco: a nossa bandeira.
A bandeira pode ser explicada da seguinte forma: os séculos XV e XVI foram marcados por uma trilogia macabra. Graças a Peste Negra, a Guerra dos Cem Anos e a fome em alta escala, a Europa padecia; desta forma, entende-se o negro na bandeira do Vasco. Os portugueses tinham, no comércio marítimo, a sua principal válvula de escape para a solução de crises e, para atingir êxito em suas viagens, os Almirantes rogavam a Deus para que iluminasse seus caminhos em busca do sucesso; eis o motivo da faixa branca diagonal: a Luz Divina. Por último, o comprometimento com o catolicismo condicionava os Almirantes a converter e doutrinar os povos sem religião e, para isso, a Cruz Cristã deveria sempre estar junto a eles como objeto primordial de proteção e ensinamento em suas missões; é explicado o motivo de a Cruz-de-Malta estar no centro da bandeira.
Após este histórico, nos voltemos para Doutrina Social da Igreja Católica e vejamos as inúmeras semelhanças que esta e o Club de Regatas Vasco da Gama possuem. A Doutrina Social da Igreja (DSI) é o conjunto dos ensinamentos contidos na doutrina da Igreja Católica e no Magistério da Igreja Católica, constante de numerosas encíclicas (Rerum Novarum do Papa Leão XIII em 1891, Quadragesimo anno de Pio XI em 1931, Mater et magistra de João XXIII em 1961, Paulo VI com a encíclica Populorum Progressio em 1967 e a carta apostólica Octagesima adveniens em 1971 e João Paulo II com três encíclicas: Laborens exercens em 1981, Sollicitudo rei socialis em 1987 e, finalmente Centesimus annus em 1991) e pronunciamentos dos Papas inseridos na tradição multissecular e que tem suas origens nos primórdios do Cristianismo. A Doutrina Social da Igreja aborda vários temas fundamentais, como "a pessoa humana, sua dignidade, seus direitos e suas liberdades; a família, sua vo­ca­ção e seus direitos; inserção e participação responsável de cada homem na vida social"; a promoção da paz; o sistema econômico e a iniciativa privada; o papel do Estado; o trabalho humano; a comunidade política; "o bem comum e sua pro­mo­ç­ão, no respeito dos princípios da solidariedade e subsidiariedade; o destino universal dos bens da natureza e cui­dado com a sua preservação e de­fe­sa do ambiente; o desenvolvimento in­tegral de cada pessoa e dos povos; o primado da justiça e da caridade.
A Doutrina Social da Igreja Católica é fundamentada em Valores e Princípios. Dentre os Valores, estão a Verdade, a Liberdade e a Justiça. Estes três Valores Católicos são eminentemente levados na história do Vasco. Ao lutar por negros, operários e outras classes menos favorecidas, os vascaínos buscaram provar a Verdade que a cor e o patrimônio não ganham jogos nem constroem dignidades; hoje, ao vermos tantas bobagens ditas nos meios de comunicação e aceita de bom grado pela população completamente tomada pelo que é conveniente ao intelectual coletivo da tétrade flamengo-corinthians-globo-cbf, também continuamos na luta provando e desmascarando aqueles que tentam manchar a nossa história, a história do verdadeiro Clube que é a própria síntese do Brasil; buscamos também a Liberdade e a Justiça ao libertarmo-nos dos grilhões impostos pela Associação Metropolitana de Esportes Atléticos (Ver A Resposta Histórica em “A Ideologia Vascaína) em nome da Justiça pelos nossos atletas de cor e menos favorecidos que trouxeram o Campeonato Carioca de Futebol de 1923.
Dentre os Princípios, podemos destacar o Princípio do Bem Comum, o Princípio da Subsidiariedade, o Princípio da Solidariedade.
O Princípio do Bem Comum se caracteriza por ser O conjunto daquelas condições da vida social que permitem aos grupos e a cada um dos seus membros atingirem de maneira a mais completa e desembaraçadamente a própria perfeição; ora, este princípio se faz realidade no Vasco ao olharmos para nossa casa: São Januário. Construído pelos próprios vascaínos para que novos vascaínos fossem lá formados. O Princípio da Subsidiariedade e o Princípio da Solidariedade, por sua vez, determinam que deve-se respeitar a liberdade e proteger a vitalidade dos corpos sociais intermédios, por exemplo, a família, grupos, associações, entidades culturais, econômicas, ONG's, e outras que são formadas espontaneamente no seio da sociedade visando sempre a determinação firme e perseverante de se empenhar pelo bem comum; estes princípios são evidenciados no Vasco através do Colégio Vasco da Gama e de eventos como o “Dia da Cidadania Vascaína” onde, em ambos, se faz presente a função social do Vasco em formar o aporte moral do vascaíno antes de formar o atleta. Estes Princípios também reforçam o direito da pessoa na participação da vida política e social do Estado. Trocando a ¨Estado¨ por ¨Clube¨, isso também faz parte da história nossa história onde os associados sempre possuíram voz ativa dentro do Clube existindo, estatutariamente, a possibilidade de votarem e serem votados.
Para finalizar, é importante salientar que o Vasco é um dos poucos clubes a possuir um monumento religioso dentro de suas dependências: A Capela de Nossa Senhora das Vitórias. Isso reforça ainda mais o caráter cristão do Vasco que, além de respeitar os feriados católicos, há a necessidade de se falar diante da imagem de Nossa Senhora Aparecida em entrevistas coletivas, seja de dirigente ou jogador.
Em entrevista à Folha de São Paulo, o Frei Eneas Berilli, vascaíno e responsável pela Capela, afirmou: "essa fé é importante para o clube. Nos últimos dias, estamos rezando ainda mais, para o Vasco conquistar os títulos."
O culto à Nossa Senhora das Vitórias começou, no Vasco, em 1923 durante a conquista do primeiro Campeonato Carioca pelo Clube. A Capela foi inaugurada só em 1955 e funciona normalmente, com missas e batizados. O então Presidente Roberto Dinamite casou-se lá. Neste ano de 2012, o Vasco começará a dar aulas de catequese aos atletas da base. O fato inédito no cenário dos clubes brasileiros foi originado de uma idéia do próprio Frei Eneas. O sacerdote afirma que "encaminhar os meninos na fé cristã é importante".
Diante de todas essas evidências, que perfazem tanto a história que precede o Club de Regatas Vasco da Gama como a que conta seus feitos como instituição desde 1898, é evidente que a relação entre o nosso Clube e o Cristianismo Católico é estreita. 
Saudações Vascaínas.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O ¨sentimento¨ acabou


Outra vez batemos na trave e perdemos um título para um rival do Rio. Nos últimos três anos foram consecutivas segundas colocações: 2010, segundo para o Botafogo na Taça Guanabara; 2011, segundo para o flamengo na Taça Rio; e, agora o mais recente segundo lugar para o fluminense na Taça Guanabara. Isso, claro, sem contar o histórico de segundas colocações que marcou a década passada para o clube da ave-preta. Desta forma, chega de hipocrisia: a balela do ¨sentimento¨ tem que acabar. Entre aspas mesmo, afinal, o sentimento do qual falo é aquele promovido pela nova diretoria e que é permeado de um imensurável apequenamento da torcida caracterizado por aplausos em derrotas, audiência para o que é anti-Vasco, conformismos em provocações infundadas e passividade em relação à política do Clube e assuntos que diminuem aquele que moralmente sempre será Gigante.

Graças a essa passividade da torcida, o Vasco caminha a passos lentos (mas perigosos!) para um apequenamento moral possivelmente irreversível. Espero estar errado na comparação, mas não esqueçamos que o América-RJ, até a década de 1960, tinha torcedores espalhados pelo Brasil e quando se falava em redução patrimonial e moral do clube, devido às conseqüentes derrotas, ninguém acreditava. Naquela época eles ainda tiveram sorte, afinal, a mídia não estava tão capilarizada como está hoje e sua diminuição deu-se mais por incompetência administrativa do que por ação midiática. Hoje, nossa diretoria não é apenas incompetente para o Vasco como também é apática à imprensa. Como alguns costumam dizer, eles fazem o Vasco que flamenguista gosta de ver.

Vascaíno, entenda: o Clube do qual você faz parte tem uma história imensa que deve ser preservada e, principalmente, respeitada por você e pelos demais. Sempre defendi que o Vasco é muito mais que o Departamento de Futebol: o Club de Regatas Vasco da Gama é uma instituição mais que centenária que desde sempre comprometeu-se na formação, não apenas de atletas, mas de cidadãos vencedores. Merecemos respeito pela nossa tradição e pela nossa história! Portanto, se aqueles que eram pra lhe representar, não o fazem, faça você! Se lhe dão camisas azuis, não compre! Se faz com que você aceite jogar fora de São Januário, proteste! Se incentiva você a aplaudir quem macula a história do Clube, não aplauda! Se promove o entreguismo do Vasco na mão dos rivais, denuncie!

Quando sentimos amor sincero e pleno, nós devemos trabalhar com a verdade. Se alguém que você ama entrasse no banditismo ou nas drogas, você iria incentivá-lo ou iria aceitar a verdade do fato para podê-lo ajudar? Imaginando que vocês levem em consideração a segunda alternativa, digo-lhes que com o nosso Vasco não deve ser diferente. Estes últimos anos têm sido terríveis para nós quando o assunto é FINAL, não tem como negar. Claro que, historicamente, estamos longe de sermos ¨reis dos vices¨ como já estão falando por aí. Mas, aceitemos o fato de que a última década e o início desta têm sido um problema para nós quando o assunto é FINAL. Seja destino, psicológico, macumba...o que for! O time pelo qual o Vasco está representado, quando entra em campo numa decisão, assim como a torcida, treme na base e acaba sendo derrotado.

Não queira mais ser cúmplice disso e aceitar passivamente a desmoralização que o Vasco vem sofrendo desde o início da década passada. Abandone o ¨sentimento¨ fajuto e esse amor cego. Passe a olhar o Clube criticamente e não como um torcedor clichê que está sempre feliz e satisfeito com tudo que aconteça. Proteste e exija um Vasco compatível com sua grandeza sem jamais perder a humildade que tão bem nos caracteriza.

Saudações Vascaínas.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Roberto Dinamite: O anti-Vasco





Para iniciar os trabalhos, gostaria de informar que o MILITÂNCIA VASCAÍNA não está a serviço direto da instituição C.R. Vasco da Gama e tampouco estamos em inércia subserviente à imprensa. Este site dirige-se única e exclusivamente ao TORCEDOR vascaíno, independente de sua categoria e do estado em que resida. O MILITÂNCIA VASCAÍNA também não serve, em exclusivo, a nenhum movimento político do Vasco, apenas exaltando aqui quem faça por merecer, em concordância com a posição ideológica deste que vos fala. Dito isto, vamos à postagem:


Carlos Roberto "Dinamite" de Oliveira, ídolo indiscutível do Vasco na condição de atleta de futebol, foi nomeado Presidente do Clube a 28 de junho de 2008 após o conturbado pleito das eleições anuladas de 2006. Para muitos - não pretendo entrar neste assunto -, um golpe do MUV (Movimento Unido Vascaíno); para outros, uma esperança em voltar a ver um Vasco tradicional e vencedor. Para quem acompanha a política do Vasco com olhares críticos e sem o comodismo de satisfazer-se com promessas vãs de um "novo Vasco" sabe que esta segunda opção não é verdade.
Para começar a falar do Dinamite Presidente, é interessante falar do Dinamite pré-Presidente.
Na década de 80, mesmo depois de o Vasco ter dado todas as condições físicas e financeiras para que o então ídolo continuasse no Clube, Roberto Dinamite cedeu a uma proposta do Barcelona, partindo para o clube catalão. Depois de uma passagem minguada pelo Camp Nou com 8 jogos, banco de reservas, atuações pífias e apenas 3 gols marcados, Dinamite anuncia que gostaria de voltar ao Brasil. Antonio Soares Calçada, então Presidente do Vasco nesta época, queria ver Dinamite longe do Vasco após a sua ganância diante da proposta do Barça. Com isso, Márcio Braga, presidente do urubu, se apressa e tenta a contratação do ídolo vascaíno. Ao saber do interesse, Dinamite responde: "que eu possa brilhar, dar as alegrias e marcar os gols que a torcida do flamengo tanto espera". Eurico Miranda, sabendo do alvoroço e da humilhação que seria para o Vasco e para os vascaínos quando um ídolo do Clube fosse defender o outro lado, esturgou-se e tratou de convencer Calçada a reaceitar Dinamite. E assim foi feito. Em 1980 Dinamite volta ao Vasco, não por vontade própria, mas graças a alguém da diretoria do Clube. Neste vídeo, após marcar seu gol 500 contra o Volta Redonda, Dinamite agradece a Eurico pelo esforço do dirigente em trazer-lo de volta à São Januário.
A partir desta atitude, a relação entre Eurico e Dinamite foi das melhores possíveis culminando até na eleição de Roberto Dinamite como Deputado Estadual em 1994 integrando a mesma chapa de Eurico Miranda, que elegeu-se Deputado Federal no mesmo ano. O apoio de Dinamite à Eurico na vida política do Vasco também foi incondicional em 94, 97 e 2000, anos de pleito no Clube. Até que em 2002, após uma discussão com um dos diretores do Vasco na Tribuna de Honra do Clube, Roberto Dinamite alega ter sido expulso do estádio às ordens de Eurico Miranda. O atual Presidente do Vasco estava em seu gabinete e só ficou sabendo do ocorrido através da imprensa. Tarde demais. Dinamite já tinha preparado o terreno e o pretexto para entrar na política de oposição do Clube era perfeito: expulso, por motivos torpes, pelo Presidente do Vasco que, até então, lhe tinha como parceiro. Claro que isto foi um prato cheio para a mídia parasita que sempre esteve a postos para difamar o Vasco a qualquer custo, afinal, como declarado por Antonio Nascimento, editor de esportes do jornal O Globo, "no tempo do Eurico Miranda tinha uma coisa conspirativa contra o Vasco". Ora, consideremos que essa história do Dinamite seja verdade e que a sua expulsão tenha realmente sido uma ordem de Eurico Miranda. O que Eurico ganharia fazendo isso? Por quais motivos expulsaria Dinamite de São Januário? Não tem sentido, afinal, Dinamite quem dependia de Eurico e não o contrário. Com o acontecimento, Dinamite foi convidado (que coincidência...) a candidatar-se como Presidente da chapa de oposição "explosão vascaína" que tinha o apoio do MUV. Não se sabe se a vigarisse em forjar toda essa situação partiu de um grupo inteiro como estratégia política, apenas de Dinamite ou dos dois em conjunto. Fato é que o acontecimento foi um divisor de águas na história recente do Vasco e a ele devemos o feito de o sr. Roberto Dinamite estar na Presidência do nosso Clube.
Neste ano de 2012, o sr. Roberto Dinamite completará 4 anos à frente do Vasco. Quatro anos de muitas propostas, promessas e pouco a ser feito, mantendo-se na posição de servilismo àqueles que encontram-se em posições privilegiadas. Em seu primeiro ano de presidência, o Sr. Roberto Dinamite declarou, após ter sido questionado como iria proceder como Presidente visto que jamais ocupou cargo algum no Vasco, que "iremos aprender ao longo dos anos". Incompetência assumida, deu no que deu: pegou o Vasco em oitavo lugar no Campeonato Brasileiro, faltando 31 rodadas para o término da competição, fez contratações ridículas alegando não ter dinheiro e conseguiu rebaixar o Vasco para a segunda divisão. Ainda no ano de 2008, mais precisamente no dia 13 de julho, o Presidente do Vasco convidou o presidente do flamengo Márcio Braga para assistirem ao clássico entre os dois clubes juntos no Maracanã. Que lindo! Convidar aquele que, sempre que tinha oportunidade, difamava o Vasco e os vascaínos no Clube dos 13 e na imprensa. Tudo em nome de um bem estar hipócrito para a imprensa deleitar-se e anunciar o começo uma amizade colorida que, de fato, jamais vai existir entre vascaínos e flamenguistas. Esta foi a primeira evidência pública de entreguismo dinamitesco.
O ano de 2009 deu início a "geração sentimento" . Os vascaínos abraçaram o Clube numa tentativa, segundo o sr. Dinamite e a imprensa, de retomar o sentimento vascaíno. Objetivo abominável do ponto de vista do real torcedor, visto que o verdadeiro amor pelo Vasco jamais se perdeu, esmoreceu ou vacilou. Mas, foi com esse objetivo que o ano encarado e levado até o fim, culminando na conquista do Campeonato Brasileiro da Série B.
Vale um adendo: não acho que a Série B seja motivo de vergonha para o torcedor vascaíno visto que, o Vasco, não nasceu grande como a maioria dos atuais grandes clubes; o Vasco SE FEZ grande e, para isso, teve de passar por diversas provas que consolidaram o nosso vitorioso destino. A Série B foi mais uma dessas provas. Poderia ser evitada? Com certeza. Mas se ela veio, que a encaremos como uma Série A.
O Sr. Roberto Dinamite alegou, no início de 2009, que montaria um time que seria capaz de disputar de igual para igual qualquer competição. Nós, claro, devíamos depositar confiança nele, afinal, seria o seu primeiro ano completo à frente da Diretoria Administrativa do Clube. Confiamos e olha só quem veio: Paulo Sérgio, Edu Pina, Fernando Galhardo, Pará, Titi, Gian, Rafael Morisco, Amaral, Carlos Alberto, Léo Lima e Aloísio. Isso sem falar na inicial parceria com a Champs que - graças a Deus - durou pouco tempo mas nos presentou com essas "belezas" de uniformes. Com ressalvas para Fernando Prass, Fagner, Élton e do técnico Dorival Júnior, será que ele realmente acreditava que com aqueles jogadores nós poderíamos conquistar algo mais do que a Série B? Tanto não podíamos que não conquistamos: derrota na semifinal da Taça Rio por 4 x 0 contra o Botafogo e eliminação da Copa do Brasil pelo Corinthians. Finalmente, veio a conquista de Série B que foi extremamente comemorada pelo Sr. Presidente com direito a um troféu de plástico após o jogo contra o América de Natal, com nossa vitória de virada por 2 x 1 sobre a equipe Potiguar. Uma outra conquista do Vasco foi fora dos gramadas com a parceria (inépcia, por sinal) com a Eletrobrás. Num documentário exibido no final do ano sobre a segunda divisão, o Sr. Roberto Dinamite discursa no vestiário com os jogadores e puxa um "Casaca" que, siceramente, dá vergonha se ver.
Em 2010, inflamado pelo sentimento de ter tirado o Vasco do jejum de títulos que já durava sete anos (considerando que o último título do Vasco tinha sido o Carioca de 2003, contra o fluminense) o Sr. Dinamite prometeu a tríplice coroa para o Vasco. Que beleza! Ele só esqueceu de acordar do sonho porque, na realidade, o que ele fez, dentre outras coisas, foi o seguinte: dispensar o técnico Dorival Júnior e contratar Vágner Mancini (que durou quase dois meses no cargo) além de chamar, Caíque, Gustavo, Giovani Maranhão, Dodô, Élder Granja, Márcio Careca, Rafael Coelho, Thiago Martinelli e outros. Aí não dá né, Sr. Presidente? Resultado: iludidos pela goleada em cima do Botafogo na primeira fase da Taça Guanabara e de uma fraca semifinal vencida em cima do fluminense nos pênaltis, perdemos para o próprio Botafogo na final (2x0); eliminados na semifinal da Taça Rio para o urubu após uma arbitragem escandalosamente parcial para o lado deles, onde coube a meia dúzia de torcedores vascaínos protestar na frente da FFERJ enquanto o Sr. Presidente chorava pelo leite derramado da eliminação do Carioca sem tomar nenhuma posição firme contra a arbitragem do Rio de Janeiro; eliminados da Copa do Brasil nas quartas-de-final para o Vitória; e uma campanha que finalizou-se no meio da tabela no Campeonato Brasileiro. Vale ressaltar também que o ano de 2010 marca a primeira vez em que o sr. Dinamite pisa no estatuto do Vasco ao lançar uma terceira camisa completamente diferente dos padrões vascaínos e, ainda não contente, tenta oficializá-la para jogos mais importantes do Vasco como foi o caso da semifinal da Taça Rio onde o nosso Clube enfrentou o flamengo vestido na chamada "Camisa Templária". Ainda no furor do lançamento da nova camisa, o Sr. Presidente lança a "importantíssima" proposta de quebra de récorde mundial de tatuagens de Cruz-de-Malta em torcedores no mesmo final de semana da disputa da semifinal da Taça Rio. Batemos o récorde de tatuagens e perdemos a semifinal.
Este ano também representa a perda total de comando do Clube graças ao jogador Carlos Alberto. O atleta "ídolo" dos mais jovens graças à liderança do grupo na conquista da Série B, atuou em apenas 22 jogos dos 68 que o Vasco disputou em 2010 alegando estar machucado em TODOS eles. Ora, é muito simples: o que não acrescenta, não faz falta. Qualquer dirigente em suas faculdades mentais normais pensaria assim mas o nosso Presidente não. Manteve Carlos Alberto no Clube, homenageou-o com o título de Sócio Benfeitor Remido, dispensando-o só em 2011 para o Grêmio e, ainda assim, pagando parte do salário dele. Que invejem os outros clubes, mas o nosso Presidente é o melhor em não indispor-se com ninguém!
O ano de 2011 começou com o típico desastre dinamitesco. Sem maiores contratações, alegando que o caixa estava vazio, o Vasco inicia o Campeonato Carioca perdendo para quatro pequenos: Resende, Nova Iguaçú, Boavista e flamengo. Após tantas derrotas, milagrosamente, surgem as contratações (ué, mas o caixa não estava vazio?) com a vinda de Diego Souza e Alecsandro. Juntos a Éder Luís, Felipe, Fagner e o nosso grande comandante Ricardo Gomes, conquistamos a Copa do Brasil e fizemos uma campanha magnífica no Campeonato Brasileiro. Mas, vale adendos: Será que as contratações que nos levou ao título da Copa do Brasil viria se não houvesse (como houve) uma pressão extremamente forte da torcida? Será que o nosso Presidente iria contratar ou permaneceria, mais uma vez, inerte? Eu afirmo: o título da Copa do Brasil de 2011 é muito mais de VOCÊ, torcedor, do que de um pseudo-mandatário. Quanto ao Campeonato Brasileiro, será que se tivéssemos uma diretoria realmente competente que exigisse que não fôssemos punidos por ter casa e brigasse para que mandássemos TODOS os nossos jogos em São Januário, não teríamos conquistado o Penta Campeonato Brasileiro? Fica a questão.
O ano de 2012 já começou com as tradicionais besteiras do "Novo Vasco": Saída, sem resistência da diretoria, do Rodrigo Caetano, pilar fundamental na montagem do Vasco de 2011; não inscrição dos principais contratados, Carlos Tenório e Matias Abellairas, para a Taça Guanabara (enquanto o urubu contrata Vágner Love num dia e praticamente no outro ele está jogando); salários atrasados para os jogadores e falta de pulso firme em mantê-los concentrados; investir 3,5 milhões de reais para contratar Bernardo e o mesmo jogador passar a perna colocando o Clube na justiça pela falta de pagamento; e a patética terceira camisa azul.
Diante disto, podemos concluir que o oportunismo, a falta de posição firme e o mínimo senso de responsabilidade com o Vasco no sr. Roberto Dinamite falam mais alto. Mantenho minha posição de apoio ao Presidente que esteja no comando do Vasco, seja ele quem for. Eu só não devo e não pretendo me furtar em criticar o que é óbvio e aconselho a todos fazerem o mesmo.

Saudações Vascaínas.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

E a Tradição, onde fica?


¨Eu, Roberto Dinamite, estou satisfeito com a nova camisa 3 e tenho certeza que a torcida vai entender o motivo. A atenção destinada a este lançamento, voltou os olhos da nossa grande torcida, da imprensa e até mesmo dos outros clubes para o Vasco.

O novo uniforme foi inspirado e desenvolvido tomando como base o contexto histórico e momento atual de conquistas do clube.

O Club de Regatas Vasco da Gama tem este nome em homenagem ao navegador, que teve as suas maiores façanhas desbravando os mares do mundo para conquistar novos povos e riquezas para a Coroa Portuguesa.

Além das cores branca e azul estarem presentes na primeira bandeira de Portugal, o azul reflete o domínio dos mares, tanto do homem que iniciou vencendo os oceanos e logo após conquistando nações, quanto do clube, que iniciou sua trajetória no Remo e consagrou-se vitorioso nos gramados.

Ser campeão da Libertadores é o desejo de todo torcedor. O Vasco encontra-se novamente diante deste grande desafio: a conquista da América. Como os Cavaleiros Templários, o nosso bravo Exército da Colina está partindo para uma nova série de batalhas, cruzando o continente em busca da taça.

Assim como o Vasco entrou em campo com uma armadura em 2010 para celebrar o estado de gloria, em 2012 é um novo momento de enfileirar nossos templários, vestir nossa armadura, e unidos, conquistar países e corações em busca da Libertadores.

Convoco você, torcedor vascaíno, a se alistar nessa cruzada e ajudar que as histórias de conquistas do navegador e clube Vasco da Gama continuem sendo escritas por nossos jogadores, e que cada batalha pela Taça Libertadores da América seja vitoriosa.¨

Estamos juntos,

Roberto Dinamite
Presidente do CRVG, CAMPEÃO DE TERRA E MAR

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Enquanto a luz vermelha da situação financeira do Vasco se acende, o nosso Presidente se preocupa em ir à público para defender a patética terceira camisa lançada pela Penalty em parceria com a Cavalera. Não bastasse ter sido trazida à publico como foi (com o vazamento da camisa antes da divulgação oficial) os fatos que mais espantaram os vascaínos foram a extrema falta de criatividade das empresas – visto que o modelo é igual à terceira camisa de 2010, alterando somente às cores – e a completa falta de respeito à Tradição e ao Estatuto do Club de Regatas Vasco da Gama.

O Estatuto oficial do Vasco, lançado em julho de 1979 é bem claro no seu artigo 7º: ¨O pavilhão do Clube é preto, com uma faixa branca em diagonal partindo do canto superior do lado da tralha, a Cruz de Malta em vermelho no centro e na parte superior duas estrelas douradas, uma ao lado da outra; uma delas simbolizando as conquistas dos Campeonatos Invicto de Mar e Terra no ano de 1945 e a outra a do Campeonato Brasileiro de Futebol do ano de 1974. As cores da bandeira e a Cruz de Malta serão reproduzidas nos uniformes, emblemas e insígnias usadas pelo clube.¨
Como já postulei noutra postagem neste blog, o nosso Estatuto carece de reformulações, afinal, muita coisa se passou de 1979 pra cá e de duas estrelas, passamos a ter oito (4 brasileiros, 3 sulamericanos e o Título de Terra e Mar). Mas, enquanto não há uma atualização da Carta Magna Vascaína, devemos respeitá-la como está! Portanto, o que o Sr. Presidente comete, ao aceitar e satisfazer-se com este Vasco Azul, é um crime. Um crime contra a instituição VASCO DA GAMA, contra aos atletas que conquistaram os nossos mais valiosos títulos vestindo a camisa preta com a diagonal branca (ou vice-versa) e, principalmente, um crime contra quem é o Vasco de fato e de direito: a torcida.

Numa pesquisa realizada na NETVASCO, maior site de informações sobre o Clube, cerca de 80% dos vascaínos rejeitaram o terceiro uniforme. Ora, Sr. Presidente, quer prova mais cabal de que somos CONTRA a mais esse ardiloso golpe em busca de um ¨Novo Vasco¨? Não foi o Sr. que foi um dos primeiros a levantar-se contra a administração Eurico Miranda dizendo que o Vasco era um Clube historicamente democrático e que o que vivíamos era uma ditadura? E essa sua atitude em impor a nós este uniforme anti-Vasco querendo ainda convencer-nos de que ¨entenderemos o motivo¨ é democracia?

Gastou nosso dinheiro – já contado, diga-se de passagem - à toa para produzir esta camisa que, muito provavelmente, será um fracasso de vendas e que não irá instigar o torcedor vascaíno a comparecer aos estádios para ver um Cruzeiro da Gama jogar.

Sinceramente, não sei o que estimula o nosso Presidente a atitudes de tão baixa inteligência e de tamanha falta de compromisso com o Clube. Apoio da torcida com certeza não é, afinal, acho que só ele não sabe que nós já temos uma armadura. A armadura com a qual, no Chile, conquistamos a América pela primeira vez em 1948, reconquistando-a em 98 no Equador e em 2000 em São Paulo; a armadura com a qual vencemos outras guerras internacionais como a Copa Rio de 53 e o Torneio de Paris de 57; a armadura com a qual, ano passado, entramos na batalha final contra o Coritiba em território inimigo e, mesmo perdendo, saímos vitoriosos da guerra; a armadura com a qual nos impomos contra Cruzeiro, São Paulo, Palmeiras e São Caetano, na conquista dos nossos 4 brasileiros; enfim, nossa armadura mundialmente conhecida: A camisa que representa o nosso estandarte e com a qual impomos respeito onde quer que estejamos.

Pare de invencionice, Sr. Presidente. Não há ¨Novo Vasco¨ que supere a tradição e a história construída pelo bom e ¨Velho Vasco¨.

Saudações Vascaínas

domingo, 15 de janeiro de 2012

O papel do vascaíno na política do Clube




Nos últimos anos temos acompanhado uma briga sistemática dentro política do Club de Regatas Vasco da Gama. Luta essa que além de dividir a opinião de torcedores e associados, promovem uma verdadeira cisão dentro das dependências do Vasco. Grupos heterogêneos se formaram e a coerção com a opinião alheia chegou a tal ponto que a intolerância tomou forma de violência verbal e até física entre vascaínos. Fato inédito no clube. Neste vídeo, por exemplo, é mostrada uma briga entre torcedores de duas facções organizadas, a Força Jovem do Vasco (FJV) e a Ira Jovem do Vasco (IJV), que ocorreu durante o Campeonato Brasileiro de 2007. Tudo motivado pela política.

Toda essa história teve início concreto 13 de novembro de 2006 quando a chapa do grupo político CASACA! (do candidato da situação, Eurico Miranda) venceu as eleições para o Conselho Deliberativo. Em 08 de março de 2007 a Justiça acatou a denúncia feita pelo MUV – Movimento Unido Vascaíno (chapa oposicionista liderada por Roberto Dinamite) de uma possível irregularidade com uma das urnas. A situação, por sua vez, conseguiu uma liminar que adiou o processo por dez meses. Em 2008, as eleições foram oficialmente canceladas e em junho do mesmo ano novas eleições foram realizadas tendo como vencedora a chapa de Roberto Dinamite. Estabelecida a vitória de Dinamite como novo Presidente do Vasco, um turbilhão de ataques de ambos os lados se consolidou permanecendo até os dias de hoje.

Atualmente, existem três grupos políticos no Clube: o CASACA! (hoje, a maior força oposicionista), o MUV (que embora fragmentado, permanece no poder) e a Cruzada Vascaína (fundada em 2009 e tida como uma terceira via).

O ano de 2011 foi marcado, dentre outras coisas, por mais uma eleição no Vasco. O triênio do primeiro mandato de Dinamite se encerrara e um novo pleito foi realizado. A princípio, cinco chapas foram inscritas, a saber:

- Seremos Campeões – José Henrique Coelho (dissidente do MUV);

- Vasco Valente – Pedro Valente (Representante do CASACA!);

- O Vasco Pode Mais – Jayme Lisboa Alves (Sem representação política);

- Cruzada Vascaína – Leonardo Gonçalves (Presidente do grupo político homônimo);

- O Sentimento Tem Que Continuar – Roberto Dinamite (Atual Presidente).

Ao longo do processo, José Henrique Coelho retirou sua chapa do pleito assim como Pedro Valente. Restaram apenas três chapas. Terminada a votação, a chapa encabeçada pelo MUV venceu por 2390 votos, seguido da Cruzada Vascaína com 247 votos e 61 da chapa O Vasco Pode Mais. Como as eleições no Vasco são indiretas o que é formado na votação é o Conselho Deliberativo. Este, em novembro de 2011, elegeu Roberto Dinamite como Presidente do Vasco para o triênio 2011-2014.

Depois deste apanhado geral, entremos no assunto proposto: qual o papel que nós, sócios e torcedores, devemos ter perante essa situação?

Primordialmente devemos ter uma opinião em relação a atual gestão. Nada de centrismo nem de conformidade. Para contribuir na manutenção de um Vasco forte devemos, antes de tudo, conhecer quem está à frente do Clube trabalhando para isso. Fiscalizar e criticar (lembrando que a palavra crítica significa ter critério em opinar, sendo assim, pode haver críticas positivas e negativas) são atitudes essenciais para que haja um termômetro efetivo da administração do Vasco.

Em segundo lugar, devemos conhecer os grupos políticos do Vasco bem como as suas propostas. Para isso é necessário buscar as fontes primárias, ou seja, documentos, artigos e idéias que estejam partindo do próprio grupo. Desta forma, diminui-se o teor de manipulação ao passo que forma vascaínos críticos e capacitados e conscientes da situação política do Clube.

Por fim, deve-se tomar uma posição. Qualquer postura é aceitável, menos a passividade. Aquele que acompanha o dia-a-dia do Vasco e deseja continuar fazendo parte de um Clube grande e em permanente ascenção deve ou pertencer, ideológica ou ativamente, a um dos três grandes grupos políticos já citados ou ter idéias próprias referentes a administração do Vasco. Em outras palavras, é imprescindível que o vascaíno tenha de exercer sua cidadania dentro do Clube tendo uma opinião política ativa.

Colocando-me como exemplo, acredito que me encontro em tendências ao CASACA!, pelo tradicionalismo convicto, pela defesa irrefutável dos ideais do Vasco frente à grande mídia e a outros detratores da história cruzmaltina. O documento ¨Compromisso com o futuro¨, lançado para a campanha eleitoral de 2011, confirma esses aspectos.

Entretanto, confesso posicionar-me também em coerência com alguns dos princípios da Cruzada Vascaína no que diz respeito ao Presidente do Clube que esteja em exercício (seja ele quem for), a união das forças políticas em busca de um Vasco internamente forte e a reforma, em alguns pontos, do nosso Estatuto que encontram-se claramente ultrapassados.

Uma coisa é certa. Não compactuo com o MUV. Não consigo apoiar um grupo que não respeita o Estatuto vigente (vide a incoerência com a tradição do Vasco postulada no Art. 7º e a terceira camisa lançada em 2010 e as eleições realizadas no meio do ano quando, de acordo com o Art. 58º, deveriam ser realizadas na primeira quinzena de novembro), entrega-se de braços abertos aos opressores (a inoperância em brigar por jogos em São Januário e em reclamar pelos gritantes erros de arbitragem que acontecem constantemente contra o Vasco), pretende transformar o Vasco num Clube-Empresa (aceitando calada a proposta da famigerada Lei Pelé) e que visa transformar o Clube, que é popular, em elitista e de moda (campanha do recorde de tatuagens em 2010). Respeito o sr. Roberto Dinamite pelos serviços prestados ao Vasco como jogador e por ser, inegavelmente, um ídolo do nosso Clube. Mas não posso esquecer que em 2008 estávamos em 8º (oitavo) lugar no Campeonato Brasileiro quando, de formas não tão lícitas, o MUV assumiu o Vasco e todos sabem o que aconteceu no final.

Devemos ter posições definidas. É obrigação prezar pela grandeza do Clube de acordo com nossas convicções ideológicas referentes a ele, tendo sempre em mente que, na política, nossos nomes podem ser diferentes mas o sobrenome ¨Vasco¨ é o mesmo.

Saudações Vascaínas.


terça-feira, 3 de janeiro de 2012

A Ideologia Vascaína



Quando me propus a desenvolver este blog, tinha em mente a idéia de fazer algo que transcendesse o âmbito do futebol e do esporte de uma forma geral. É claro que, como vascaínos, devemos sempre estar a par do que ocorre no cenário desportivo do nosso Clube afinal, de acordo com o artigo primeiro do nosso estatuto, são as atividades esportivas, recreativas, assistenciais, educacionais e filantrópicas que movem o C. R. Vasco da Gama. No entanto, temos inúmeros outros sites e blogs que tratam destes temas sendo que, se eu aqui mantivesse esta mesma linha, me tornaria repetitivo. Como citei na primeira postagem, pretendo seguir à risca o nome MILITÂNCIA VASCAÍNA e construir uma página com ideais e pensamentos vascaínos, fazendo uma interface da história do Clube com o que hoje está em vigor no Vasco e no Brasil.

Para isso, devemos ter de entender o conceito de ideologia. Ideologia, segundo o ¨Dicionário escolar da língua portuguesa¨ (1986) de Francisco da Silveira Bueno, é, dentre outras coisas, ¨um sistema de idéias, convicções religiosas e políticas.¨

O ideário de uma convicção política no Vasco não é de difícil entendimento. Podemos apresentar este tema em dois aspectos. Um específico e outro ampliado: 1) a esfera política do Vasco que encontra-se fragmentada, obrigando-nos a tomar uma decisão sobre qual lado devemos ficar; 2) a política geral do Clube perante a outros clubes e a mídia controladora.

O conceito de religião, segundo o mesmo livro de Francisco da Silveira Bueno, significa ¨um conjunto de práticas e princípios que regem as relações entre o homem e a divindade¨. Claro que não devemos comparar o Vasco a um Deus ou a uma inteligência inatingível, mas é notório que nós, vascaínos, possuímos fidelidade e regimento intrínsecos que se comparam ao sentimento religioso. Que vascaíno legítimo nunca abdicou de alguma atividade em determinado dia porque tinha jogo do Vasco? Que vascaíno legítimo nunca comprou briga por alguém ter falado alguma imbecilidade referente ao Clube? Que vascaíno legítimo nunca sacrificou-se para assistir ao Vasco longe da sua casa e de seus familiares? Deve-se admitir que não há exagero algum quando nós, torcedores leais, entoamos: ¨Vasco da Gama, minha paixão! Vasco da Gama, religião!¨.

Posto isso, qual é a ideologia do Vasco? O que norteia do Clube e que, por conseguinte, nos norteia também?

A história do Vasco é fortemente marcada por alguns princípios básicos: superação, dignidade, pioneirismo, caráter, humildade, democracia, igualdade e conquista.

O C.R. Vasco da Gama, fundado em 21 de agosto de 1898, surgiu como instituição desportiva ligada ao remo. Jovens do Rio de Janeiro estavam cansados de deslocarem-se à Niterói para praticar o esporte. Desta forma, cerca de 62 homens (portugueses e não portugueses), reunidos numa sala da Sociedade Dramática Filhos da Talma, no bairro da Saúde no Rio de Janeiro, decidiram instituir o Club de Regatas Vasco da Gama.

"Aos 21 dias do mês de agosto de 1898, às 2:30 horas da tarde, reunidos na sala do prédio da Rua da Saúde número 293 os senhores constantes do livro de presenças, assumiu a presidência o Sr. Gaspar de Castro e depois de convidar para ocuparem as cadeiras de secretários os senhores Virgílio Carvalho do Amaral como primeiro e Henrique Ferreira como segundo, declarou que a presente reunião tinha o fito de fundar-se nesta Capital da República dos Estados Unidos do Brasil, uma associação com o título de Club de Regatas Vasco da Gama (...)"

Com as históricas palavras da ata de fundação a história do Vasco tem início. Permanecemos como um clube restrito à prática do remo até o ano de 1915. Neste período, a prática do futebol começava a ganhar popularidade no Brasil e no Rio de Janeiro que, até então, era a capital brasileira. Voltando dois anos, em 1913, a convite do Botafogo, uma seleção de Lisboa desembarcou no Rio para a inauguração do estádio de General Severiano. A passagem desta seleção motivou membros da colônia portuguesa residentes na capital do Brasil a criarem clubes de futebol. Três inexpressivos clubes foram fundados, dentre eles o Lusitânia Futebol Clube. O Lusitânia, em novembro de 1915, foi fundido ao Vasco fazendo surgir o nosso departamento de futebol. Assim, a prática do esporte bretão, que é a paixão do brasileiro, surgiu para nós há 96 anos.

Em 1916 o Vasco estrearia na terceira divisão do carioca permanecendo até 1920. Em 1922 o Vasco conquista a segunda divisão tendo o direito de disputar a primeira no ano seguinte. Nossa primeira característica ideológica: a humildade. Começamos por baixo e chegamos no patamar dos grandes por merecimento.

Até então, futebol era um esporte da elite. Segundo as palavras do ex-presidente do Vasco, Eurico Miranda, ¨os antigos torcedores eram senhores que iam aos estádios com chapéu gelô e polaina acompanhando suas senhoras que portavam sombrinhas e vestidos longos¨. De fato, toda essa elegância apresentada pela torcida refletia na alta sociedade que freqüentava os estádios de futebol. Nomes de clubes como ¨Sport Club Corinthians Paulista¨, ¨Fluminense Football Club¨, ¨Grêmio de Foot-ball Portoalegrense¨ e até mesmo o ¨América Football Club¨ denunciam a grande influência Britânica no esporte que foi adotado no Brasil.

Eis que, em 1923 surge na elite do futebol carioca um clube da zona-norte que, apesar da ascendência portuguesa, abriu as portas para negros, pobres e operários. Nossa segunda característica ideológica: o pioneirismo. O pensamento dos ditos grandes quando o Vasco ascendeu à elite foi de indiferença. Afinal, em que um clube da segunda divisão cujos jogadores moravam em alojamentos e treinavam num campinho que nem para jogos oficiais servia poderia ameaçar? Poder-se-ia colocar quantos negros e pobres os portugueses quisessem que tudo iria continuar como sempre foi, ou seja, os clubes grandes da elite branca, dominando os menores.

Time do Botafogo em 1907

Time do Fluminense em 1918

Time do flamengo em 1912

Time do Vasco em 1923

Quantos negros você consegue ver nos três primeiros times acima? E no Vasco?

Soberba. Quanto mais o Vasco jogava, mais vencia. O desprezo se transformou em inveja quando, ao final do Carioca de 23, levantamos a taça com 12 vitórias de 14 jogos.

Preocupados com a guinada que o Vasco apresentou nos últimos anos e tentando evitar que isso acontecesse nos próximos anos, membros da elite do esporte carioca passaram a perseguir o Vasco fazendo investigação das posições sociais dos atletas do Clube. Em 1924, Carlos Guinle, presidente da AMEA (Associação Metropolitana de Esportes Athléticos) fundada recentemente pelos 5 grande clubes do Rio de Janeiro (Fluminense, Botafogo, América, Bangu e flamengo) determinou que o Vasco, se quisesse participar desta nova liga, deveria dispensar do seu plantel 12 de seus jogadores pois estes teriam ¨origem duvidosa¨. Racismo escancarado. Como revide, o presidente do Vasco, Dr. José Augusto Prestes, emitiu a 7 de abril de 1924, a ¨Resposta Histórica¨. O maior título do Vasco fora dos gramados:

"Rio de Janeiro, 7 de Abril de 1924.

Ofício nr. 261

Exmo. Sr. Dr. Arnaldo Guinle

M.D. Presidente da Associação Metropolitana de Esportes Atléticos

As resoluções divulgadas hoje pela imprensa, tomadas em reunião de ontem pelos altos poderes da Associação a que V.Exa tão dignamente preside, colocam o Club de Regatas Vasco da Gama numa tal situação de inferioridade, que absolutamente não pode ser justificada nem pela deficiência do nosso campo, nem pela simplicidade da nossa sede, nem pela condição modesta de grande número dos nossos associados.

Os privilégios concedidos aos cinco clubes fundadores da AMEA e a forma por que será exercido o direito de discussão e voto, e feitas as futuras classificações, obrigam-nos a lavrar o nosso protesto contra as citadas resoluções.

Quanto à condição de eliminarmos doze (12) dos nossos jogadores das nossas equipes, resolve por unanimidade a diretoria do Club de Regatas Vasco da Gama não a dever aceitar, por não se conformar com o processo por que foi feita a investigação das posições sociais desses nossos consócios, investigações levadas a um tribunal onde não tiveram nem representação nem defesa.

Estamos certos que V.Exa. será o primeiro a reconhecer que seria um ato pouco digno da nossa parte sacrificar ao desejo de filiar-se à AMEA alguns dos que lutaram para que tivéssemos entre outras vitórias a do campeonato de futebol da cidade do Rio de Janeiro de 1923.

São esses doze jogadores jovens, quase todos brasileiros, no começo de sua carreira e o ato público que os pode macular nunca será praticado com a solidariedade dos que dirigem a casa que os acolheu, nem sob o pavilhão que eles, com tanta galhardia, cobriram de glórias.

Nestes termos, sentimos ter que comunicar a V.Exa. que desistimos de fazer parte da AMEA.

Queira V.Exa. aceitar os protestos de consideração e estima de quem tem a honra de se subscrever, de V.Exa. At. Vnr. Obrigado

(a) Dr. José Augusto Prestes - Presidente"

Mais quatro características ideológicas: o caráter, a dignidade, a igualdade e a democracia.

Desta forma o Vasco permaneceu na LMDT (Liga Metropolitana de Desportos Terrestres) e foi novamente campeão carioca por esta associação em 1924. Um ano se passou e em 1925 o Vasco foi admitido na AMEA, mesmo com seus jogadores negros, pobres, nordestinos e mulatos.

Anos mais tarde, mais um impasse para o Vasco permanecer na AMEA: ter um estádio. Os grandes diziam que não poderiam permitir a presença do Vasco na liga até o Clube ter um estádio próprio. Até então, o Vasco disputava seus jogos no campo do Andaraí. Com isso, entre 1924 e 1926 a diretoria do Vasco começou a angariar fundos para a construção da praça de esportes do Clube. Em 1925, foi adquirido um terreno no alto de uma colina no bairro de São Cristóvão e lá, os sócios, a vizinhança e os torcedores comuns do Clube começaram, em junho de 1926, a construir o estádio do Vasco. Menos de um ano quase um ano mais tarde, o Estádio Vasco da Gama estava consolidado, tendo o jogo inaugural em 21 de abril de 1927 contra o Santos. Nossa sétima característica ideológica: a superação.

A partir daí o Vasco começou a reafirmar-se como grande clube que era, figurando sempre entre os grandes. Em 1942 surgiu o nosso inesquecível Expresso da Vitória que reafirmou nosso pioneirismo ao fazer do Vasco, em 1948, o primeiro clube Brasileiro campeão de um torneio internacional: O Campeonato Sul-Americano de Clubes. Vencemos de forma invicta a competição que, em 1996, foi considerada pela CONMEBOL como embrião da Taça Libertadores da América. Foi graças a Barbosa, Ademir, Bellini, Danilo, Eli, Friaça, Ipojucan, Tesourinha, Rafagnelli, Sabará, Maneca, Lelé, Jorge, Chico e Augusto que pudemos confirmar a característica ideológica que nos marca com mais veemência: a conquista. Esta e outras características que fazem do Vasco um exemplo para a vida em sociedade foram ratificadas ao longo dos anos e da história do Vasco. A presença do primeiro presidente negro num clube, Cândido José de Araújo, em 1905 e o surgimento do Colégio Vasco da Gama, em 2004 marcam o pioneirismo, a humildade, a democracia e a igualdade; Os diversos títulos vencidos pelo Vasco, como os 22 Estaduais da primeira divisão, os 4 Campeonatos Brasileiros, a Copa do Brasil, as 3 Copas Rio-São Paulo, o título da Libertadores no ano de Centenário, dentre outros, são reafirmações da conquista que não é uma opção no Vasco, mas um destino; Por fim, a virada histórica em cima do Palmeiras no título da Mercosul de 2000, a recuperação em 2011 após uma década perdida (2001 – 2010) seguida da retomada do sentimento vascaíno após a queda para segunda divisão em 2008 e posterior conquista do título da Série B no ano seguinte, além da recente virada em cima do Universitário do Peru pela Copa Sulamericana, mostram que nosso poder de superação ainda é forte e que não se deve nunca duvidar do Vasco.

O conjunto de crenças e convicções do Vasco é marcante e único. Devemos sempre ter foco nele. A ideologia vascaína construiu uma instituição vencedora e ela deve continuar sendo base para a fomentação de cidadãos de bem com vistas no compromisso com um futuro formado por pessoas menos arrogantes, prepotentes e presunçosas.

Saudações Vascaínas.